quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Onde Estava Deus?



Onde Estava Deus no tiroteio na escola primaria de Sandy Hook, Newtown em Connecticut? Huckabee responde a esta pergunta que Neil Cavuto, e muitos outros fizeram a respeito desta historia abaixo:

Em Dezembro 14, 2012 um tiroteio chocou a nação americana e o mundo. Um jovem de 20 anos de idade, Adam Lanza, entra em uma escola primaria nos Estados Unidos e matar 26 pessoas inocentes aproximadamente as 9:30 a.m (da manhã). A policia ainda busca a causa do tiroteio. O jovem estava com: um rifle e duas pistolas.

sábado, 1 de dezembro de 2012

Heroína improvável



Phiona Mutesi tem hoje 14 anos, mora na vila Katwe, na periferia de Kampala, Uganda, e luta bravamente, com sua mãe e três irmãos, pela sobrevivência. Perdeu o pai para o grande inimigo das crianças Ugandenses, a AIDs.

Sua vida mudou quando teve um encontro com Robert Katende, um jovem órfão cujo sonho era jogar futebol profissionalmente. Tinha potencial e foi jogador por um tempo mas teve de desistir do esporte após ter sofrido um acidente. Em 2003, seu ex-técnico de futebol o convidou para trabalhar como missionário cristão na Igreja Ágape na empoeirada vila de Katwe. Lá, além de ensinar futebol, ele passou a dar aulas de xadrez, jogo que até então era desconhecido das crianças.

Começou com apenas 6 crianças nas dependências daquela igrejinha. Hoje conta com 37, todas crianças muito pobres que talvez comecem a frequentar o programa muito mais interessadas nas refeições oferecidas ali do que no jogo propriamente dito.

Estima-se que em Katwe 50% das adolescentes já são mães. Os perigos daquele contexto são muitos e os horizontes muito extreitos especialmente para as meninas. Assim Phiona, muito consciente, afirma: “Xadrez é muito parecido com a minha vida, se você fizer movimentos inteligentes, talvez escape do perigo, mas se fizer uma decisão errada, essa pode ter sido sua última chance”.

Aos 9 anos, a menina seguiu um garoto na esperança de conseguir algo para comer, sem imaginar que isso contribuiria para mudar seu destino. O garoto era um dos alunos de Robert. Ao chegar ao local Phiona ficou encantada com o que viu. Retornou ao local várias vezes na esperança de receber comida. Um dia Robert Katende convidou-a para jogar. Phiona lembra: “Quando vi os meninos jogando, tão felizes e animados, eu quis essa chance de ser feliz também.”

Phiona passou a andar seis quilômetros, todos os dias para poder jogar xadrez. O primeiro jogo que ganhou, após perder umas 50 vezes, foi contra Joseph Asaba, um menino que antes ganhara dela de uma forma humilhante, com apenas 4 movimentos. Com um ano, Phiona já era capaz de ganhar de seu próprio treinador, Robert. A menina continuou a crescer no jogo. Passou a jogar contra universitários e os derrotou. É uma jogadora focada e dedicada, e faz isso como se sua vida dependesse do jogo, o que não está longe da verdade. Logo se tornou a campeã nacional de xadrez da Uganda.

Em 2010 ela representou seu país na 40ª Olimpíada de Xadrez em Istambul, Turquia em setembro de 2012. Não levou nenhum troféu para casa mas não deixou de impressionar, competindo com os melhores do mundo de igual para igual quando ainda não sabia sabia ler ou escrever.

De volta para casa, Phiona foi alfabetizada, continua estudando, ajudando sua mãe e sonhando com um futuro melhor. Você pode ver um documentário em inglês sobre esta campeã improvável no You Tube. No documentário ela diz que seu desejo é dar orgulho para a África e mostrar para o mundo o seu Deus.
Sua história está contada no livro “The Queen of Katwe”, escrito pelo jornalista norte-americano Tim Crothers e publicado em outubro de 2012 pela editora Scribner.

Este relato foi compilado a partir de artigos publicados na revista Reader´s Digestr e ESPN Online Magazine.

Publicado no Brasil pela Rede Mãos Dadas

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Peterson e a Esperança



É essencial fazer distinção entre esperar e desejar. Elas não são a mesma coisa. O desejo brota do nosso ego; a esperança brota da nossa fé. O desejo é uma linha que sai de mim, com uma seta apontando para o futuro. A esperança é uma linha que sai a partir do futuro, com uma seta apontando em uma direção.

Esperança significa ser surpreendido porque não sabemos o que é melhor para nós ou como nossas vidas serão completadas. Cultivar esperança é suprimir o desejo recusar a fantasia quanto ao que queremos, e viver na antecipação do próximo movimento de Deus.

A esperança afeta a vida cristã ao nos tornar esperançosos e vivos. As pessoas que têm esperança nunca sabem o que virá a seguir. Elas esperam que seja bom porque Deus é bom. Mesmo quando os desastres ocorrem, as pessoas que têm esperança procuram saber como Deus irá tornar o mal em bem. Uma pessoa com esperança está viva para Deus. A esperança é poderosa. É estimulante. Ela nos mantém andando na ponta dos pés esperando o inesperado.

Autor: Eugene Peterson

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Qual tradução da Bíblia devo usar?


Augustus Nicodemus fala sobre as traduções da Bíblia para o português, passando sobre os manuscritos originais (texto crítico, texto recebido, texto massorético, textus receptus, texto majoritário) e metodologias de tradução (equivalência formal, equivalência dinâmica). Qual versão usar? Almeida Revista e Corrigida (ARC), Almeida Corrigida e Fiel (ACF), Almeida Revista a Atualizada (ARA), Almeida Século XXI, Nova Versão Internacional (NVI), Nova Tradução na Linguagem de Hoje (NTLH), A Mensagem?

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

A razão da Reforma Protestante



Os reformadores buscavam uma volta da Igreja aos ensinos bíblicos, ao modelo de vida da igreja primitiva, descentralizado o poder das mãos de uma liderança eclesiástica corrupta e distante dos leigos, para uma experiência de fé pessoal e comunitária acessível a todos. Porém as idéias dos reformadores não foram bem aceitas pela Igreja Romana, excomungando e condenando o ensino daqueles que protestavam.

Os reformadores protestantes estabeleceram o que seria conhecido como as “cinco solas” (sola é a palavra latina para única) da Reforma. Estes cinco pontos da doutrina formam o coração da Reforma Protestante. São eles:

1. Sola Scriptura – somente a Bíblia.
Afirma que somente a Bíblia é a única autoridade para todos os assuntos de e prática. A Bíblia é o fundamento da fé cristã. Ela é a revelação de Deus para a humanidade e digna de toda aceitação, ela é como uma lâmpada que ilumina os nossos passos e luz que clareia os nossos caminhos (II Tm 3:17, Sl 119).
Quando foi pedido que Lutero se retratasse, ele disse: “A menos que eu seja convencido pelo testemunho das Escrituras ou pelo mais claro raciocínio; a menos que eu seja persuadido por meio das passagens que citei; a menos que assim submetam minha consciência pela Palavra de Deus, não posso retratar-me e não me retratarei, pois é perigoso a um cristão falar contra a consciência. Aqui permaneço, não posso fazer outra coisa; Deus me ajude. Amém”.

2. Solus Christus – somente Cristo.
Afirma que a salvação é encontrada somente em Cristo e que unicamente Sua vida sem pecado e expiação substitutiva são suficiente para nossa justificação e reconciliação com Deus o Pai.
Falando de Cristo a Bíblia afirma que “não há salvação em nenhum outro, pois, debaixo do céu não há nenhum outro nome dado aos homens pelo qual devamos ser salvos” (At 4:12). Ele mesmo disse: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida. Ninguém vem ao Pai, a não ser por mim” (Jo 14:6). Daí a afirmação dos teólogos reformados, “pois há um só Deus e um só mediador entre Deus e os homens: o homem Cristo Jesus” (1 Tm 2:5).

3. Sola Gratia – somente a graça.
Afirma que a salvação é pela graça de Deus apenas, e que nós somos resgatados de Sua ira apenas por Sua graça. A graça de Deus em Cristo não é meramente necessária, mas é a única causa eficiente da salvação.
A Bíblia diz: “Pois vocês são salvos pela graça, por meio da fé, e isto não vem de vocês, é dom de Deus;não por obras, para que ninguém se glorie” (Ef 2:8-9). O homem e a mulher são aceitos por Deus sem méritos próprios. Tudo que recebemos de Deus é por seu favor, não por nossa bondade. “Todos os nossos atos de justiça são como trapo imundo” (Is 64:6). Como pecadores não podemos nos redimir diante de Deus, mas podemos receber o seu perdão por causa de sua graça estendida a nós em Jesus.

4. Sola Fide – somente a fé.
Afirma que a justificação é pela graça somente, através da fé somente, por causa somente de Cristo. É pela fé em Cristo que Sua justiça é imputada a nós como a única satisfação possível da perfeita justiça de Deus. Devemos tudo a Deus!
A Bíblia diz: “Tendo sido, pois, justificados pela fé, temos paz com Deus, por nosso Senhor Jesus Cristo” (Rm 5:1). O texto bíblico que revolucionou a vida de Lutero diz: “O justo viverá pela fé” (Rm 1:17). “Sem fé é impossível agradar a Deus” (Hb 11:6).

5. Soli Deo Gloria – somente a glória de Deus.
Afirma que a salvação é de Deus, e foi alcançada por Deus apenas para Sua glória.
A Bíblia diz: “Eu sou o Senhor; este é o meu nome. Não darei a outro a minha glória nem a imagens o meu louvor” (Is 42:8). Fomos redimidos em Cristo para o louvor da sua glória (Ef 1:12). “Façam tudo para a glória de Deus” (1Co 10:31).

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

O que significa orar sem cessar?”



O comando de Paulo em 1 Tessalonicenses 5:17: “Orai sem cessar” pode ser bastante confuso. Obviamente, não pode significar que devemos estar com uma postura de cabeças baixas e olhos fechados o dia todo. Paulo não está se referindo a falar sem parar, mas uma atitude de consciência da presença de Deus e de render a Ele tudo o que fazemos, o tempo todo. Todo momento que estamos acordados deve ser vivido com a consciência de que Deus está conosco e está ativamente envolvido em nossos pensamentos e ações.
Durante o percorrer do dia, oração deve ser a nossa primeira resposta a toda situação atemorizante, a todo pensamento ansioso, a toda tarefa indesejada que Deus comanda. Orar sem cessar é, em essência, dependência da comunhão com o Pai.
Infelizmente, muitos cristãos prendem sua respiração espiritual por muito tempo, achando que breve momentos com Deus são suficientes para sobreviverem. O fato é que todo crente deve estar continuamente na presença de Deus e constantemente respirando Suas verdades para serem completamente funcionais.
Publicado originalmente no site: Got Questions?org (versão em português).
Vamos respirar fundo, e respirar sem falta – vamos lembra não somente das nossas situações difíceis, ou preocupações – vamos lembra também dos outros que precisam das nossas orações. 

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Justa Indignação



O amor de Deus, segundo a visão bíblica, nunca o leva a ações tolas, impulsivas ou imorais como muitas vezes faz o amor humano. Assim também a ira de Deus, segundo a Bíblia, nunca é algo caprichoso, autoindulgente, impaciente ou ignóbil como tão frequente é a ira humana. Ao invés disto, a ira de Deus é uma reação correta e necessária frente ao mal moral. Deus só fica irado quando a ira é necessária. Até entre nós humanos, a indignação justa existe, embora talvez seja raro encontrar. Já a indignação de Deus é sempre justa.

Um Deus que tivesse tanto prazer tanto no mal como no bem seria um Deus bom? Um Deus que não reagisse contra o mal neste mundo seria moralmente perfeito? Com certeza, não. Mas é precisamente esta reação contra o mal, que é parte necessária de perfeição moral, que a Bíblia tem em vista quando fala da ira de Deus. Nós podemos confiar na ira de Deus do mesmo modo que podemos confiar no seu amor.

Por J. I. Packer
Retirado do devocionário O conhecimento de Deus ao longo do ano, publicado pela Editora Ultimato.

“Quem, ó Deus, é semelhante a ti, que perdoas a iniqüidade e te esqueces da transgressão do restante da tua herança? O SENHOR não retém a sua ira para sempre, porque tem prazer na misericórdia. Tornará a ter compaixão de nós; pisará aos pés as nossas iniqüidades e lançará todos os nossos pecados nas profundezas do mar.” Miquéias 7:18-19

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

História de Nick Vujicic

Conheça a história de Nick Vujicic. Um deficiente físico que superou todos os obstáculos para tornar-se um dos maiores testemunhos do amor de Deus. Diante de todas as adversidades, acreditou no poder de Deus e teve sua história transformada!

As imagens da entrevista extrai do site the700club.com
As legendas, do canal do youtube do aviatorone.
O trecho dublado, do canal do youtube de VedeTVBr

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

A vocação cristã para o voto


E procurai a paz da cidade… e orai por ela ao Senhor: porque na sua paz vós tereis paz. (Jr 29.7)
 
Caros irmãos e irmãs,
 
Aos nos aproximarmos das eleições municipais em outubro queremos celebrar a nossa democracia e o privilégio de contribuir, através do nosso voto, para a construção de uma sociedade mais sólida e participativa. Votar solidifica a democracia e queremos fazer parte deste processo. Reconhecemos que nos últimos anos o Brasil tem mudado muito e para melhor, mas o que preocupa, sobretudo, neste novo período eleitoral, é que o nosso sistema político partidário é arcaico e viciado. Não responde às demandas atuais, ignora as possibilidades gerenciais e tecnológicas disponíveis e carece de profundas mudanças sistêmicas, programáticas e éticas. Este sistema precisa mudar e nossos políticos precisam adequar-se às necessidades de uma sociedade mais justa, mais transparente e mais participativa.
 
Votar é uma forma de contribuirmos, como brasileiros e brasileiras, para a construção da nossa nação. Como cristãos evangélicos, comprometidos com os destinos do país, vamos votar com esta consciência e convidar todos ao nosso redor a fazerem o mesmo.
 
Como cristãos evangélicos, nos identificamos com a advertência do profeta Jeremias ao seu povo: Procurai a paz da cidade e orai por ela ao Senhor, porque na sua paz vós tereis paz. É por esta razão que, nas eleições que se aproximam, queremos caminhar para as urnas movidos por princípios que consideramos centrais:
 
- O voto é exercício de cidadania. É secreto e tem de ser responsável. Não está à venda e não pode ser produto de negociações manipuladoras. "Voto de cajado" é voto aviltado e precisa ser denunciado.
 
- A igreja é de Jesus Cristo e não pode ser identificada com nenhum partido político. O púlpito é sagrado e não pode ser usado como plataforma política de candidato algum.
 
- Votemos no que consideramos melhor para a cidade, e não em busca de favores pessoais ou mesmo de grupos.
 
- Votemos em candidatos que afirmem e tenham histórias de vida que reflitam os valores do Reino de Deus, entre os quais justiça, liberdade e verdade.
 
Caminhemos, pois, para o dia 07 de outubro, valorizando o nosso voto e o voto de todos, conscientes de que assim contribuiremos para a construção de uma sociedade democrática que não se esquece do outro, especialmente do pobre e do pequeno, e cujos resultados nos levem a dizer: “Soli Deo Gloria”!
 
Graça e paz!
 

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Deus salva



No grito dos profetas do Antigo Testamento (como Joel, Miquéias e Amós), Deus convoca todos ao arrependimento (Jl 2.13, Mq 7.9, Am 5.4,5). E isso acontece em meio à advertência do caos de um mundo desobediente. Deus humilha a arrogância (Mq 2.4), embaralha a pretensa paz e a enganosa ordem humana (Mq 1.4, 6, Am 5.21).

À primeira vista, são relatos incômodos e tristes para nosso entendimento pós-moderno. Parece um Deus furioso e disposto a condenar os que são indiferentes a ele. Mas se mergulharmos nos relatos bíblicos e nos esforçarmos a entendê-los, veremos, na verdade, o magnífico chamado à salvação (Mq 2.12,13, Am 5.14). Deus salva, a despeito da nossa indisposição para ser salvo. Deus grita aos ouvidos surdos de quem se acha livre e próspero (Am 4).

Se a história terminasse no Antigo Testamento, minha mente continuaria crendo em Deus, mas confesso que talvez entrasse em um senso de urgência desesperado e sem medida. Talvez fosse isso o necessário naquele tempo dos profetas. Talvez até seja ainda necessário em algumas circunstâncias e lugares do nosso tempo.
É preciso dizer que Deus ainda é o “Deus que salva”. Sua voz ecoa, não mais pelos gritos dos profetas antigos, mas pela boca do próprio Deus (Hb 1.1-2). Jesus Cristo é o “Deus que salva” (Mt 1.21).

Deus se revela totalmente envolvido com a humanidade em seu contexto peculiar. “Deus salva” no Antigo Testamento por meio das vozes dos profetas, amando ferozmente, não se permitindo à indiferença. “Deus salva” no Novo Testamento, por meio da morte e da vida do próprio Jesus, amando humanamente, com firmeza e compaixão, não se permitindo ausente, mas totalmente presente nas histórias humanas.

Jesus Cristo não é “outro Deus”. Ele é a face completa de Deus que os fiéis de todos os tempos precisavam e precisam. Por meio de Jesus, a salvação se tornou acessível a todos e todas. Por meio de Jesus, a salvação se tornou o caminho para a vida eterna.

Por Lissânder Dias
Publicado originalmente no blog Fatos e Correlatos

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Embaixadores de Cristo



“Portanto, somos embaixadores de Cristo, como se Deus estivesse fazendo o seu apelo por nosso intermédio.” (2Co 5. 20).

A principal tarefa da Igreja é a pregação. Não só sua tarefa primordial como também a sua mais desesperada necessidade nos dias de hoje. Os púlpitos estão vazios de verdadeira pregação, o que encontramos na grande maioria são mensagens paliativas em um ambiente de culto, cujo objetivo central, é proporcionar entretenimento. Sim, a religião sempre correu o risco de tornar-se mero entretenimento, desde os dias dos festivais pagãos nas antigas Grécia e Roma. Ainda hoje, a religião também pode servir a este expediente, oferecer horas aprazíveis com boa música, ambiente acolhedor, uma mensagem estimulante, com atrações variadas. Neste contexto a pregação não ocupa a primazia na vida da Igreja. Poesias, testemunhos impactantes apelam para as emoções (sobretudo se partir de artistas, atletas e etc.), danças, jogral, teatros, longos louvores e por aí vai, ocupam grande parte do programa litúrgico. Quando a Igreja abre mão da centralidade da Palavra e da Pregação, essencialmente ela vai deixando de merecer e de ser chamada de Igreja, pois ela abre mão da sua missão especial e especializada, que não possui concorrentes entre as seitas, religiões, instituições, governos ou quaisquer outras agências, ainda que legítimas. Cabe somente à Igreja proclamar as excelências de Cristo. Somente a Igreja recebeu especial e tamanha comissão de apresentar o insondável plano de amor e salvação em Cristo. Somente a Igreja possui autoridade e legitimidade para confrontar o pecado, denunciar as estruturas pecaminosas e levar o pecador a reconhecer o seu estado de miséria. À Igreja, e a ninguém mais, concedeu Deus o ministério da reconciliação entre Deus e o homem pecador por meio do anuncio gracioso da Salvação.  Ela detém o poder das chaves e realiza este poder quando prega com fidelidade as Escrituras. Evidentemente que a pregação quando realizada com zelo e fidelidade, por mais dura e exigente, por si só produz um culto espiritual, um ambiente onde se testemunha a maravilhosa e excelsa presença de Deus e a ação consoladora e transformadora do Espírito Santo. Evidentemente, onde a Palavra de Deus ocupa seu lugar de primazia e centralidade, haverá lugar para as manifestações da estética que redundem e expressem a glória de Deus. O lirismo e a poesia serão apreciados como expressão de devoção e amor, e, o louvor prestará a seu fim supremo: A  Exclusiva Adoração a Deus! Onde as Escrituras são expostas de maneira fidedigna, os problemas e os dramas humanos são tratados em profundidade, sem paliativos, o Espírito que sempre acompanha a Palavra, ministra no mais profundo das almas e consciências, penetrando zonas e lugares que nenhum terapeuta ou medicamento poderiam jamais alcançar. Assim, onde a Escritura é soberana o homem é mais feliz. Neste sentido entendemos que a Igreja é mais que uma simples agência ou instituição religiosa, ela é uma espécie de Embaixada do Reino. Somos todos, sem exceção, Embaixadores de Cristo. Não possuímos uma opinião própria. Não emitimos nossos conceitos. Não recebemos comissão e autorização para dar o nosso ponto de vista à luz de nossas experiências pessoais. Não. Somos Embaixadores, representantes dos interesses e dos negócios do Rei do Reino, o Senhor Jesus Cristo. Falamos em nome de dele e só podemos falar a partir da Bíblia, por meio da pregação ordinária e docente (púlpito) e por meio do testemunho e do compromisso pessoal em viver o que cremos e aprendemos. A história prova e comprova que as maiores transformações sociais e os maiores avanços humanitários seguiram os tempos de avivamento e redescoberta das Escrituras Sagradas: hospitais, sanatórios, Universidades, Ensino básico gratuito, a democracia moderna, o ressurgimento das artes e etc. A religião quando subestima a autoridade da Palavra de Deus e a tira de seu centro vital na liturgia e na vida, produz Cruzadas, guerras, perseguições, obscurantismo intelectual, intolerâncias raciais e étnicas e o que é pior, torna-se refém de seu tempo e da cultura dominante, perdendo assim sua vocação profética e tornando-se instrumento de alienação a serviço do pensamento dominante. 
Ouçamos o conselho de Billy Grahan: “Estude a Bíblia para ser sábio; Creia nela para ser salvo; Siga seus preceitos para ser santo.
Por Rev. Luiz Fernando
Publicado originalmente em Igreja Presbiteriana Central de Itapira

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

O Cristão, a Política, a Igreja e os Políticos



“Tenham cuidado para que ninguém vos escravize com filosofias vãs e enganosas...” Colossenses 2.8

Correm os dias da campanha política. Meio morna é verdade, mas ela está aí. Os importunos carros de som, muitos “santinhos” e “informativos” infestam nossas garagens, e muitos sorrisos, apertos de mãos e tapinhas nas costas sem fim não faltam. Tudo isso faz parte do jogo político e de uma sociedade democrática e livre, excetuando-se os exageros, claro. Nestes dias nossas igrejas e comunidades evangélicas são visitadas com certa regularidade por candidatos e assessores. São sempre bem-vindos para ouvir a Palavra de Deus e participarem com os filhos de Deus da adoração. É verdade que muitos são verdadeiros alienígenas, suas aparições só acontecem nessas ocasiões e depois sua indiferença para com a Igreja e aquela comunidade de mulheres e homens cristãos volta para a mais absoluta insignificância no ponto de vista da maioria deles. Não me queixo disso, é apenas uma constatação. Afinal de contas, “ninguém vem, a mim [disse Jesus] se o Pai não o enviar”.  Contudo, é meu dever de Pastor desta Igreja orientar o meu rebanho nesta tensa, às vezes perversa, mas inescapável e necessária relação com as lideranças políticas, com a política e com os eventuais oportunistas. - fuja de um candidato que ofereça ajuda nos interesses da igreja ou que ofereça a defesa de nossa causa. O maior interessado em defender os interesses da Igreja é o dono dela, a saber, o Senhor Jesus Cristo e Ele mesmo e nenhum outro poderá defendê-la. - Não dê confiança a um candidato que diga que quer fazer uma parceria, uma “dobradinha” entre o governo ou mandato dele e a Igreja. A separação entre Igreja e Estado não é apenas uma separação institucional, que na verdade é saudável para ambos. Mas sim uma separação de natureza e propósitos. A Igreja cumpre com sua missão e se realiza, e contribui para o desenvolvimento da humanidade, da cultura e etc., fazendo o que lhe é próprio: testemunhando a Cristo e seu amor, anunciando o Evangelho, preparando homens e mulheres para servirem no mundo com os valores do Reino, cuidando dos pobres, defendendo o direito dos órfãos, viúvas e etc...ou seja vivendo de maneira profética emprestando sua voz aos marginalizados e desamparados. Já o Estado se torna o que deve ser, fazendo o que lhe é próprio e nunca se intrometendo em questões religiosas e morais. - Desconfie de um candidato que prometa terrenos, praças, facilidades. Há uma hipoteca moral nisso aí. A grande pergunta é, por que não nos procuraram antes, como cidadãos de bem querendo contribuir ou apoiar algumas de nossas iniciativas sociais? Não temos mais visibilidade agora em dias de campanha do que tínhamos antes e, de repente, parece que tudo vais ser mais fácil... - A vida pregressa conta sim e a vida pessoal também. A Lei da “Ficha Limpa” não pode vir a ser mais uma daquelas folclóricas iniciativas que não colam, precisamos fiscalizar. Se o TSE não ajudar e não cumprir com sua função, a responsabilidade fica conosco, de fazer a escolha certa. Investigue o candidato, procure saber como está a sua “Ficha”. Veja como administra os seus negócios particulares, se é um bom funcionário. Se ele não souber administrar a própria vida o que o faz crer que ele administrará bem a cidade? Se ele não é coerente, ético e zeloso como empregado ou funcionário público o que o faz pensar que ele agirá com probidade e impessoalidade na Câmara Municipal? - Por último, tenha cuidado com os políticos profissionais. A perpetuidade de muitas de nossas misérias, inclusive a corrupção, é a permanência dos mesmos de sempre, ou os do mesmo grupo. A alternância de poder, a rotatividade nas lideranças, o arejamento das ideias são conquistas importantes da democracia e são a maturidade do Estado de Direito. Evidentemente que só pelo fato de estar envolvido há muito tempo com a causa política não faz de alguém um ser desprezível. Existem autênticas vocações para o bem comum. Tampouco não quer dizer que um novo nome, uma novidade, possa ser de per si, uma coisa boa. Como eu disse, o voto é uma coisa séria, que não pode ser impensado. Não pode ser passional, não pode ser seduzido (prostituído?). É um exercício de cidadania, envolve critérios objetivos e éticos. Demanda pesquisa, investigação, comparação, ponderação. Quatro anos é tempo demais para errarmos. Verdadeiramente, voto não tem preço, tem consequência. Penso nisso, ore por isso, e vote com compromisso.

Por Rev. Luiz Fernando
Publicado originalmente em Igreja Presbiteriana Central de Itapira

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

O Evangelho dos Pobres



“Pois vocês conhecem a graça de nosso Senhor Jesus Cristo que, sendo rico, se fez pobre por amor de vocês.” (2 Co 8.9).

Jesus Cristo fez-se pobre. O Rei dos Reis quis nascer pobre entre os pobres, na periferia do Império Romano, e quis viver grande parte de sua vida na obscura e desprestigiada Nazaré. Segundo a sua linhagem humana, Jesus é descende da realeza, da estirpe de Davi. Todavia, Jesus integrou uma categoria muito especial de pessoas, a dos ANAWINS, isto é, dos pobres de YAWEH, o remanescente fiel. Estes pobres, além de serem despossuídos do acúmulo de bens, também eram despossuídos intencionalmente de riquezas e seguranças humanas de qualquer natureza. Não colocavam sua esperança em coisa alguma que não fosse os cuidados paternais de Deus e na esperança da realização de suas boas promessas. Jesus quando inicia o seu ministério público, de imediato se identifica com os pobres. Vai ao encontro deles, ensina os mistérios do Reino, cura as suas enfermidades, promove a libertação dos domínios de Satanás, provê pães e peixes, se compadece, consola e anuncia a salvação. Evidentemente que este amor de predileção pelos pobres nunca é excludente, há lugar no Reino e na Igreja para os mais afortunados, não restam dúvidas. Mas, não sem dificuldades devido ao perigo do apego do coração o que torna a alma pesada e o espírito presunçoso. Jesus Cristo apresenta um esboço do seu ministério em Lucas 4. 18-19: “O Espírito do Senhor está sobre mim, porque ele me ungiu para pregar boas novas aos pobres. Ele me enviou para proclamar liberdade aos presos e recuperação da vista aos cegos, para libertar os oprimidos e proclamar o ano da graça do Senhor.” Vemos assim que os pobres encontram-se, de alguma maneira, no centro das preocupações do Senhor Jesus, que outra coisa não fez do que retomar a preocupação com os pobres, órfãos e viúvas de seu Pai já Antigo Testamento e com o ano da restituição como o ano da graça em Levítico 25. 8-55. A Igreja não pode dar-se o luxo de ter outras preocupações acima dessas de Jesus, não pode alienar-se nesta cultura de superficialidade, futilidade, consumismo e escravidão dos prazeres. A Teologia da Prosperidade é uma distorção do projeto do Reino de Deus, mas existem outras distorções igualmente nefastas: fé sem obras, piedade sem compaixão pelos pobres, religião sem engajamento ético, discurso sem vida, culto sem demonstração de amor e interesse pelos que sofrem e etc. Uma igreja pode facilmente aburguesar-se, dar-se por satisfeita com sua alienação no sagrado, terceirizar inclusive a assistência aos desvalidos e ao cumprimento da ordem missionária em geral enquanto mantém em paz a sua consciência por cumprir o seu dever de religião. Há uma séria advertência no livro de Isaías que volta e meia deveríamos retornar a ela para não nos esquecermos dos essenciais de nossa fé: (leia Isaías 1. 10-17). Com esta pastoral não desejo voltar aos tempos do “Evangelho Social” e suas muitas mitigações. Tão pouco faço apologia da “Teologia da Libertação” e seus equívocos marxistas, longe de mim. Mas, quero desafiar a Igreja a aprofundar e assumir a MISSÃO INTEGRAL como conceito e como estilo de vida. Que todos nós, cada um segundo a medida da fé que tem e dos dons que recebeu, vivamos o Evangelho de maneira encarnada, inculturada, inserida em nossos múltiplos contextos que desafiam a validade e a genuinidade de nossa fé em Cristo. Rompamos com um cristianismo que vive em um universo paralelo como se coisa alguma em nosso derredor reclamasse nossa atenção e nossos cuidados. Não nos permitamos mais viver uma fé que se perde nos labirintos da burocracia e da política eclesiástica e que se vê refém de privilégios, títulos e cargos. Não aceitemos o espírito que nos faz perder mais tempo consertando as redes rompidas pelos puxões e repuxões de nosso “DNA” muitas vezes sectário e de interesse nem sempre nobres, do que jogando-as ao mar para pescar. Missão Integral significa Evangelho Integral: Ensino, Discipulado, Anúncio, Socorro, Cuidado, Defesa da Vida, Proteção do Meio Ambiente, Denúncia da Corrupção, Engajamento “Sociotransformador”, tudo isso, numa vida de simplicidade, gratidão, louvor, fraternidade e amor compadecido. Optar por uma vida assim e por fazer missões assim é optar ser uma Igreja Pobre para os Pobres como o Cristo Pobre, Senhor e Reis dos Reis.

Por Rev. Luiz Fernando
Publicado originalmente em Igreja Presbiteriana Central de Itapira

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Quando Deus põe você na espera



“Espera no Senhor, tem bom ânimo” (Salmo 27:14)
Se você costuma viajar de avião, é possível que esteja familiarizado com o termo “padrão de espera”. É quando o avião fica impossibilitado de aterrissar devido a condições desfavoráveis em terra. Geralmente o piloto anuncia que lhe foi ordenado manter um padrão de espera até receber uma autorização da torre de controle para que possa aterrissar. Isso ocorre regularmente, e por isso os aviões precisam levar combustível suficiente para permanecerem no ar para que possam aterrissar com segurança. A Bíblia diz: “Espera pelo Senhor, tem bom ânimo, e fortifique-se o teu coração”. Quando Deus coloca você no padrão de espera, não se trata apenas de ter fé suficiente para receber a Sua promessa, trata-se também de ter preparo espiritual suficiente para permanecer no ar esperando até que algo aconteça. É por isso que você precisa carregar combustível espiritual suficiente para lidar com os atrasos e esperar pela liberação de Deus.
A Bíblia se refere ao Espírito Santo como “um vento impetuoso” (Atos 2:2). Depois de Deus ter feito Noé aguardar o tempo suficiente para realizar o seu propósito, “Ele enviou um vento” (Gn 8:1). Sempre que um vento sopra vindo da presença de Deus, não importa como, ele sopra para longe todos os impedimentos e obstáculos, e prepara o terreno para que você possa seguir em frente. Ele derruba o espírito de temor e de peso que o faz querer desistir.
Davi perguntou a Deus “Que é o homem, para que dele te importes?” (Sl 8:4). Mesmo em tempos de frustração e espera, Deus ainda está pensando em você e operando para o seu bem. Quando Ele demora não significa que está recusando algo a você. Então, quando sentir uma brisa divina em seu espírito, rejubile-se, pois é sinal de que Ele está preparando você para aterrissar e que boas coisas estão para acontecer!
Transcrito do Projeto Água Viva 

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

A Bíblia e o celular



Já imaginou o que aconteceria se tratássemos a nossa Bíblia do jeito que tratamos o nosso celular?
E se sempre carregássemos a nossa Bíblia no bolso ou na bolsa?
E se déssemos umas olhadas nela várias vezes ao dia?
E se voltássemos para apanhá-la quando a esquecemos em casa, no escritório...?
E se a usássemos para enviar mensagens aos nossos amigos?
E se a tratássemos como se não pudéssemos viver sem ela?
E se a déssemos de presente às crianças?
E se a usássemos quando viajamos?
E se lançássemos mão dela em caso de emergência?
Mais uma coisa:
Ao contrário do celular, a Bíblia não fica sem sinal. Ela 'pega' em qualquer lugar.
Não é preciso se preocupar com a falta de crédito porque Jesus já pagou a conta e os créditos não têm fim.
E o melhor de tudo: não cai a ligação e a carga da bateria é para toda a vida.
“Buscai ao Senhor enquanto se pode achar, invocai-o enquanto está perto” (Is 55.6).

Afirmou São Jerônimo: “Ignorar as Escrituras é ignorar Cristo, porque aquele que não conhece as Escrituras não conhece o poder de Deus e a sua sabedoria”.

TELEFONES DE EMERGÊNCIA:
Quando você estiver triste - ligue: João 14.
Quando pessoas falarem de você - ligue: Salmo 27.
Quando você estiver nervoso - ligue: Salmo 51.
Quando você estiver preocupado - ligue: Mateus 6:19, 34.
Quando você estiver em perigo - ligue: Salmo 91.
Quando Deus parecer distante - ligue: Salmo 63.
Quando sua fé precisar ser ativada - ligue: Hebreus 11.
Quando você estiver solitário e com medo - ligue: Salmo 23.
Quando você for áspero e crítico - ligue: I Coríntios 13.
Para saber o segredo da felicidade - ligue: Colossenses 3:12-17.
Quando você sentir-se triste e sozinho - ligue: Romanos 8:31-39.
Quando você quiser paz e descanso - ligue: Mateus 11:25-30.
Quando o mundo parecer maior que Deus - ligue: Salmo 90.


Autor: desconhecida

terça-feira, 21 de agosto de 2012

Sem Medo



Uma das perguntas que mais gostava de fazer para puxar assunto com meus amigos no meio de um profundo silêncio era “qual é o seu maior medo?”. Na época, acredito, o objetivo era ter o que  conversa, ou conhecer melhor minhas amizades – penso ser este o principal motivo. Mas, vendo hoje, além dessas duas coisas, sentia (e ainda sinto) a necessidade de encontrar nos outros um pouco da humanidade que encontro em mim mesmo, o que me motivava a fazer a tal pergunta. E acredito que não há sentimento mais humano do que o medo. Isso porque este denuncia nossa estrutura ínfima, impotente, diante dos diversos gigantes que, vez ou outra, aparecem para nos assustar. E, sim, somos dependentes de algo que nos dê segurança e nos livre desses gigantes.


Eu sinto medo – de várias coisas, inclusive. Mas acho que hoje lido melhor com essa minha realidade. Parte porque a maioria dos meus amigos toparam responder a essa pergunta, o que fez não me sentir sozinho no mundo dos “medrosos”. E mais do que isso. Vi-me fazendo parte de uma simbiose terapêutica: ao me identificar com o sofrimento do outro e ver o outro se identificando com meus receios e dúvidas, aos poucos víamos nossos gigantes se tornando menos assustadores e, as vezes, até sumindo. A amizade é mesmo uma benção.

Mas essa não é a única razão. Sou devedor à graça que me revela Cristo como aquele capaz de tornar um ser humano pecador e medroso no filho do Deus criador de todas as coisas, o Deus de amor. Que, alias, afirma fazer fugir todo o medo, com sua natureza amorosa (I Jo. 4.17.18). Eu seria um pouco clichê – e nada humano – se neste momento entrasse no discurso de que “Sou outra pessoa! Nada me amedronta agora, pois sou filho do Deus amor. Aleluia!”. Além de, claro, estar mentindo. Como disse, ainda sinto medo. A diferença é que ele não me domina.


Recentemente estudei junto com os adolescentes de minha igreja a carta de I João. Vimos como o apóstolo, de forma apaixonada e apaixonante, aborda a Palavra da Vida como algo da qual o seu espírito e o de toda humanidade depende completamente. “A mensagem que ouvimos sobre essa palavra da vida é que Deus é luz” e os que andam sob o cuidado desse Deus enxerga a natureza caída do homem, a natureza perfeita e santa de Cristo, que preserva a vida, e a natureza da nova identidade, sonhada desde antes da fundação do mundo, que o “Deus Luz” nos dá de presente em Jesus. Esta nova identidade apresenta um comportamento diferente do que costumávamos ver em nós: uma alegria plena, baseada na verdade; nos possibilita a comunhão entre outras pessoas; nos faz livres do peso do pecado; nos torna mais humildes, ajudando-nos a reconhecer com mais facilidade que estamos sujeitos a falhas, e que ao confessarmos com sinceridade nossos pecados “Ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda a injustiça” (I Jo. 1.9). Essa natureza se mostra mais conhecedora de quem Deus é, pois insiste em obedecer o que Ele manda, e isso acarreta num desfrute maior do amor divino. Enfim, essa natureza reflete o próprio Cristo e nos diz que devemos andar como ele andou.

Apesar de amar essa identidade, que creio ter (mesmo) recebido de Deus, sinto-me muitas vezes distante de vivê-la toda. E isso é realmente frustrante. Mas sou consolado ao ouvir palavras como “se, porém, alguém pecar, temos um intercessor junto ao Pai” (I Jo. 2.1b) ou “todo aquele que tem esta esperança [de que seremos semelhantes a ele, quando ele se manifestar] purifica-se a si mesmo” (I Jo.3.3). É como se João dissesse “você recebeu, sim, essa nova identidade ao passar para luz, mas precisa aprender a usá-la, já que você está viciado na natureza antiga. E não há pessoa melhor para te ensinar como fazer isso do que o próprio dono da identidade, Jesus, que garante fazer a obra completa em você”.

O que isso tem a ver, afinal, com aprender a lidar melhor com o medo? Penso que o medo intensifica a imagem distorcida do pequeno ser que somos. Somos realmente limitados e incapazes de lidar com diversas coisas na vida. Mas o medo, além de escancarar essa natureza, desvia o nosso foco de quem nos completa e de quem é capaz de realizar aquilo que não podemos. Quando disse que não existe sentimento mais humano do que o medo, a palavra “humano” referia-se à identidade manchada pelo pecado, aquela que se acha suficientemente capaz de viver fora dos cuidados de Deus, mas totalmente incapaz de reconhecer sua limitação. O medo, nessas circunstâncias, é inevitável. E a impossibilidade de experimentar o amor que lança fora o medo também, já que o natural para essa identidade é viver a parte do Deus que é amor.

Para os que assumem a nova identidade em Cristo, o medo (que não é pecado) assim como o próprio pecado, é algo identificado sob a presença da luz. Tendo Cristo ao meu lado, ensinando-me a andar como ele andou, vejo aos poucos ele me mostrando que o Espírito que ele derramou sobre mim não é de covardia, e sim o de adoção (Rm. 8.15), o que quer dizer: como filho, Deus toma cuidado para tratar todas as áreas deficientes da minha vida, e se revela potente onde eu sou impotente. Lentamente vejo que, como uma criança vai aprendendo a ver que os monstros na parede do quarto numa noite de chuva não passam de sombras dos galhos de uma árvore, ao ter a luz acesa pelo pai, Deus vai iluminando alguns cômodos da minha vida, e já não faz mais sentido olhar para as “sombras” e tremer de medo. Deus está comigo!

Claro, isso vai acontecendo aos poucos, na caminhada, sob a luz. E caminho fortemente motivado pela esperança: um dia serei como meu Pai, e tudo será claro, o mal não mais reinará, e eu não terei que lidar mais com o medo, pois ele já não mais existirá. Terá fim. Aleluia.


Professor da UPA (Escola Dominical)

PS: O texto escrito após o acampamento da IPV (Seguindo a Verdade em Amor) ano passado (309/2011), quando o Lucas conversou conosco sobre a carta de I João.

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Creio



Galera da União Presbiteriana de Adolescentes (UPA) da Igreja de Viçosa recitam o Credo Apostólico intercalado com confissões pessoais a cerca de sua fé em Jesus Cristo. Gravado na reunião da UPA no dia 14/07/2012.




Credo Apostólico
Creio em Deus Pai, Todo-poderoso, Criador do Céu e da terra.

Creio em Jesus Cristo, seu único Filho, nosso Senhor, o qual foi concebido por obra do Espírito Santo; nasceu da virgem Maria; padeceu sob o poder de Pôncio Pilatos, foi crucificado, morto e sepultado; desceu ao Hades; ressurgiu dos mortos ao terceiro dia; subiu ao Céu; está sentado à mão direita de Deus Pai Todo-poderoso, de onde há de vir para julgar os vivos e os mortos.

Creio no Espírito Santo; na santa Igreja universal; na comunhão dos santos; na remissão dos pecados; na ressurreição do corpo; na vida eterna. Amém.

O Credo Apostólico, assim como os Dez Mandamentos e a Oração Dominical, foi anexado, pela Assembléia de Westminster, ao Catecismo. Não como se houvesse sido composto pelos apóstolos, ou porque deva ser considerado Escritura canônica, mas por ser um breve resumo da fé cristã, por estar de acordo com a palavra de Deus, e por ser aceito desde a antigüidade pelas igrejas de Cristo.


segunda-feira, 30 de julho de 2012

Evangelização, a urgência de uma tarefa




Jesus concluiu sua obra na cruz. Triunfou sobre o diabo e suas hostes e levou sobre si os nossos pecados. Agora, comissiona sua igreja a levar essa mensagem ao mundo inteiro. O projeto de Deus é o evangelho todo, por toda a igreja, a toda criatura, em todo o mundo. Três verdades devem ser destacadas sobre a evangelização.

1. A evangelização é ordem de Deus.
O mesmo Deus que nos alcançou com a salvação, comissiona-nos a proclamar a salvação pela graça mediante a fé em Cristo. Todo alcançado é um enviado. Deus nos salvou do mundo e nos envia de volta ao mundo, como embaixadores do seu reino. Jesus disse para seus discípulos que assim como o Pai o havia enviado, também os enviava ao mundo. Isso fala tanto de estratégia como de ação. Jesus não trovejou do céu palavras de salvação; ele desceu até nós. A Palavra se fez carne; o Verbo de Deus vestiu pele humana. A evangelização não é uma tarefa centrípeta, para dentro; mas centrífuga, para fora. Não são os pecadores que vêm à igreja, mas é a igreja que vai aos pecadores. Deus tirou a igreja do mundo (no sentido ético) e a enviou de volta ao mundo (no sentido geográfico). Não podemos nos esconder, confortavelmente, dentro dos nossos templos. Precisamos sair e ir lá fora, onde os pecadores estão. Jesus, antes de voltar ao céu e derramar seu Espírito, deu a grande comissão aos seus discípulos. Essa grande comissão está registrada nos quatro evangelhos e também no livro de Atos. Não evangelizar é um pecado de negligência e omissão. Na verdade, é uma conspiração contra uma ordem expressa de Deus.

2. A evangelização é tarefa da igreja.
Nenhuma outra entidade na terra tem competência e autoridade para evangelizar, exceto a igreja. A igreja é o método de Deus. Não podemos nos calar nem nos omitir. Se o ímpio morrer na sua impiedade, sem ouvir o evangelho, Deus vai requer de nós, o sangue desse ímpio. Em 1963, quando John Kennedy foi assassinado em Dalas, no Texas, em doze horas, a metade do mundo ficou sabendo de sua morte. Jesus Cristo, o Filho de Deus, morreu na cruz, pelos nossos pecados, há dois mil anos e, ainda, quase a metade do mundo, não sabe dessa boa notícia. O que nos falta não é comissionamento, mas obediência. O que nos falta não é conhecimento, mas paixão. O que nos falta não é método, mas disposição. Encontramos o Messias, e não temos anunciado isso às outras pessoas. Encontramos o Caminho e não temos avisado isso aos perdidos. Encontramos o Salvador e não proclamamos isso aos pecadores. Encontramos a vida eterna e não temos espalhado essa maior notícia aos que estão mortos em seus delitos e pecados. Precisamos erguer nossos olhos e ver os campos brancos para a ceifa. Precisamos ter visão, paixão e compromisso. Precisamos investir recursos, talentos e a nossa própria vida nessa causa de consequências eternas.

3. A evangelização é uma necessidade do mundo.
O evangelho de Cristo é o único remédio para a doença do homem. O pecado é uma doença mortal. O pecado é pior do que a pobreza. É mais grave do que o sofrimento. É mais dramático do que a própria morte. Esses males todos, embora sejam tão devastadores, não podem afastar o homem de Deus. Mas, o pecado afasta o homem de Deus no tempo, na história e na eternidade. Não há esperança para o mundo fora do evangelho. Não há salvação para o homem fora de Jesus. As religiões se multiplicam, mas a religião não pode levar o homem a Deus. As filosofias humanas discutem as questões da vida, mas não têm respostas que satisfazem a alma. As psicologias humanas levam o homem à introspecção, mas nas recâmaras da alma humana não há uma fresta de luz para a eternidade. O mundo precisa de Cristo; precisa do evangelho. Chegou a hora da igreja se levantar, no poder do Espírito Santo e proclamar que Cristo é o Pão do céu para os famintos, a Água viva para os sedentos e a verdadeira Paz para os aflitos. Jesus é o Salvador do mundo!


Rev. Hernandes Dias Lopes

segunda-feira, 16 de julho de 2012

Compromisso com as Escrituras: caminho para a transformação




“Dá-me entendimento, para que eu guarde a tua lei e a ela obedeça de todo o coração. Dirige-me pelo caminho dos teus mandamentos, pois nele encontro satisfação”. (Salmo 119: 34,35) 


“Ouçam-me cuidadosamente, rogo-lhes... Adquiram livros que sejam remédios para a alma... Ao menos consigam uma cópia do Novo Testamento, as epístolas dos apóstolos, o livro de Atos, os Evangelhos, e tomem-nos como seus mestres constantes... Não apenas mergulhem neles mas nadem também. Mantenham-nos constantemente em mente. A raiz de todos os males é a falta de conhecimento das Escrituras”. João Crisóstomo (347-407)

Uma linda visão tem nos animado e desafiado nos últimos anos. Temos afirmado que ela é a nossa visão para os próximos dez anos, mas na verdade podemos reconhecer, de muitas maneiras, que ela já está entre nós há muito tempo, desde os primórdios deste movimento “de” e “para” estudantes. Essa visão comunica aquilo que desejamos ser: “estudantes que formam comunidades de discípulos transformados pelo Evangelho, para impactar o mundo estudantil, a Igreja e a sociedade para a glória de Cristo”. Sem dúvida, uma meta especial!

Poderíamos nos debruçar sobre os vários elementos que formam esta visão, imaginando as implicações e desdobramentos de cada um para a nossa tarefa missionária. Porém, pensando nos propósitos deste breve artigo, gostaria de focalizar nossa atenção na expressão central “transformados pelo Evangelho”. Ela liga o que “somos” ao que “fazemos”; sustenta de maneira inseparável o nosso “ser” e o nosso “fazer”, nossa “identidade” e nossa “missão”! Nossa identidade como discípulos será marcada por esta “transformação” contínua, operada por Deus através de Sua Palavra, e o resultado gradativo deste processo será uma nova onda de transformação, “para fora”, um impacto comunitário (“estudantes que formam comunidades”) e duradouro em nossas escolas, universidades, igrejas e cidades.

Costumamos afirmar corretamente que a Bíblia possui um papel central em nossa caminhada como movimento, e buscamos traduzir isso em nossos programas de formação e, até mesmo, em nossa prática missionária! Não por acaso, nem por mero “costume”, o estudo e a exposição da Bíblia possuem um lugar de destaque em nossos encontros e atividades. 

A palavra revelada de Deus é o nosso texto por excelência – a “lente” principal por meio da qual conseguimos “ler” a realidade, e não o contrário. Mas é claro, para que a Bíblia seja realmente primordial, nossa “palavra primeira”, ela deve “dialogar” e ter algo a dizer à “palavra segunda”, que é o contexto no qual vivemos. Jorge Atiencia, que foi Secretário de Capacitação da CIEE na América Latina, diz que “esta é uma aproximação existencial à Palavra, onde o ser é tão importante como o conhecer”. E prossegue: “A Bíblia não é um manual de doutrinamento para programar a conduta. É um manual de vida; quando leio, respondo a ela como uma pessoa livre, em uma situação histórica concreta. A Palavra de Deus me encontra como um ser ativo, me propõe um caminho e me convida a tomar uma decisão: ‘Escolhe, pois, a vida’ (Dt 30:15)”.

Outro elemento importante nesta discussão tem a ver com o objetivo do estudo bíblico. O Pr. Osmar Ludovico nos lembra que “o Deus em quem cremos é Logos, Palavra. Ele tem voz, fala face a face como um amigo... e deseja se fazer conhecido”. A Palavra de Deus nos põe no caminho do encontro com o Deus da Palavra. Ou, colocando em outros termos, a palavra escrita nos conduz à Palavra Viva de Deus: Jesus Cristo. E em Jesus Cristo conhecemos a Deus como Ele é, e ao homem como deveria ser. Ainda segundo Osmar, “as Escrituras devem ser vistas como expressão de amor de um Deus sequioso por estabelecer vínculos de intimidade com sua criatura. Imersos nesse amor, lemos a Bíblia com olhar diferenciado. As Escrituras deixam de ser listas de doutrinas ou regras, tornando-se cartas de amor de um Deus apaixonado, como o noivo que ansiosamente aguarda a noiva”.

Devemos sempre dar o devido valor para o fato de que as Escrituras Sagradas expressam a “revelação especial” de Deus aos seres humanos. A palavra “revelação” é derivada do latim revelatio (“tirar o véu”), e descreve a ação por meio da qual uma coisa que estava escondida por uma cortina é descoberta e, assim, exposta à visão. Isso é muito importante, pois aponta para a iniciativa de Deus de se fazer conhecido; o que implica no fato de que nós jamais poderíamos conhecê-lo, a não ser que ele tomasse a iniciativa de se fazer conhecido. E o clímax da revelação de Deus foi seu Filho encarnado, o Verbo que se fez carne. Como nos ensina John Stott, “o único Cristo verdadeiro é o Cristo da Bíblia. O que a Escritura fez foi capturá-lo para presenteá-lo a todas as pessoas em todos os tempos em todos os lugares. Se o que se quer é uma descrição do clímax da revelação de Deus, vamos encontrá-la no Cristo histórico e encarnado e em sua expressão total no testemunho bíblico”.

Por fim, enquanto afirmamos a iniciativa de Deus em se fazer conhecido, por meio de sua “autorrevelação” especial nas Escrituras, também relembramos nossa responsabilidade de nos aproximarmos dela com uma dupla atitude – reverência e disposição para estudá-la. Isto porque temos como crença fundamental o que podemos chamar de “dupla autoria das Escrituras”: a Bíblia é, ao mesmo tempo, Palavra de Deus e palavra de homens; ou melhor ainda, é a Palavra de Deus expressa em palavras humanas. Novamente, citando John Stott, “sendo a Bíblia o tipo de livro que é, temos de assumir duas posturas distintas, mas complementares, em relação a ela. Por ser ela a Palavra de Deus, nós a devemos ler como a nenhum outro livro – de joelhos, em atitude de humildade, reverência, meditação e submissão. Mas, como ela é também palavra de seres humanos, devemos lê-la como se lê qualquer outro livro, considerando bem o que ela diz e com uma mente ‘crítica’”.

Que as palavras de Jesus, extraídas do livro de Deuteronômio, continuem sempre atuais e renovadas em nossa caminhada pessoal e comunitária: “Nem só de pão viverá o homem, mas de toda palavra que procede da boca de Deus” (Mateus 4:4).

Sola Scriptura!


Por Reinaldo Percinoto Junior
Secretário Geral da ABUB
Publicado originalmente no site da ABUB                   



Bibliografia
HALL, Christopher Alan. Lendo as Escrituras com os Pais da Igreja. Viçosa: Ultimato, 2000.
ATIENCIA, Jorge; ESCOBAR, Samuel; STOTT, John. Así Leo la Biblia. Barcelona, Buenos Aires, La Paz: Certeza Unida, 1999.
LUDOVICO, Osmar. Meditatio. São Paulo: Mundo Cristão, 2007.
STOTT, John. A Verdade do Evangelho. São Paulo: ABU Editora, 2000.

terça-feira, 10 de julho de 2012

Perdão, a cura para os relacionamentos feridos



O perdão é o melhor remédio para a saúde emocional. O perdão é a assepsia da alma, a faxina da mente, a alforria do coração, a cura das emoções. Perdoar é lembrar sem sentir dor. Perdoar é zerar a conta e não cobrar mais a dívida. O perdão é ato de misericórdia e manifestação da graça. O perdão é absolutamente necessário. E isso, por várias razões:

1. O perdão é necessário porque temos queixa uns dos outros. Nós não somos perfeitos, não viemos de uma família perfeita, não temos um casamento perfeito, não temos filhos perfeitos nem frequentamos uma igreja perfeita. Consequentemente, nós temos queixas uns dos outros. Na verdade, nós decepcionamos as pessoas e as pessoas nos decepcionam. Nossas fraquezas transpiram em nossas palavras e atitudes. Sem o exercício do perdão ficamos entupidos de mágoas e a mágoa gera raiz de amargura no coração. Não somente isso, a amargura perturba a pessoa que a alimenta e contamina as pessoas ao redor. 

2. O perdão é necessário porque fomos perdoados por Deus. Quem é receptáculo do perdão precisa transformar-se em canal do perdão. Aqueles que retêm o perdão ao próximo fecham-se para receber o perdão de Deus. Não existe uma pessoa salva que não tenha sido perdoada. Na verdade, no céu só entrarão os perdoados. Logo, é impossível ser um cristão sem exercitar o perdão. Devemos perdoar assim como fomos perdoados. Como Deus nos perdoou devemos nós também perdoar uns aos outros. Quando compreendemos a enormidade do perdão recebido por Deus, não temos mais motivos para sonegar perdão ao próximo. Nossa dívida com Deus era impagável e Deus no-la perdoou completamente. Não fomos perdoados por mérito, mas por graça. Perdão não é reinvindicação de direito, mas o clamor solícito da misericórdia. 

3. O perdão é necessário porque por meio dele restauramos relacionamentos feridos. A Bíblia não oculta o perigo devastador da mágoa dentro da família e da igreja. Exemplos como Caim e Abel, José e seus irmãos, Absalão e Amnon retratam essa amarga realidade. Há pessoas feridas dentro do lar e também na assembleia dos santos. Há pessoas doentes e perturbadas emocionalmente porque um dia foram injustiçadas por palavras impiedosas e atitudes truculentas. Há pessoas prisioneiras de traumas e abusos sofridos na infância. Há indivíduos que não conseguem avançar vitoriosamente rumo ao futuro porque nunca se desvencilharam das amarras do passado. O perdão destampa esse poço infecto. Espreme o pus da ferida. Cirurgia os abcessos da alma. Promove uma assepsia da mente e proclama a libertação das grossas correntes do ressentimento. O perdão constrói pontes no lugar que a mágoa cavou abismos. O perdão passa o óleo terapêutico da cura, onde o ódio abriu feridas. O perdão promove reconciliação onde a indiferença quebrou relacionamentos. O perdão expressa o triunfo da graça, onde o ódio mostrou a carranca do desprezo. 

4. O perdão é necessário para experimentarmos plena felicidade. Uma pessoa que nutre mágoa no coração não é feliz. O ressentimento é autofagia, é autodestruição. Guardar mágoa é a mesma coisa que o indivíduo beber um copo de veneno pensando que o outro é quem vai morrer. Nenhum calmante químico pode aquietar uma alma desassossegada pela mágoa. Nenhum prazer deste mundo pode aliviar a dor de um coração ferido pelo ódio. A mágoa produz muitas doenças. Quem não perdoa adoece física, emocional e espiritualmente. Mas, o perdão traz cura completa para o corpo e felicidade plena para a alma.

Por Rev. Hernandes Dias Lopes
Publicado originalmente no site da 1ª Igreja Presbiteriana de Viçosa

terça-feira, 3 de julho de 2012

Os Ensinamentos do “Pai Nosso”



"Portanto, vós orareis assim: Pai nosso que estás nos céus, santificado seja o Teu nome. Venha o Teu reino. Faça-se a Tua vontade, assim na Terra como no Céu. O pão nosso de cada dia dá-nos hoje. E perdoa-nos nossas dívidas assim como temos perdoado aos nossos devedores. E não nos deixes cair em tentação, mas livra-nos do mal, pois Teu é o reino, o poder e a glória para sempre. Amém." Mateus 6:9-13

A Bíblia nos diz, que Jesus ensinou essa oração, conhecida como “Pai Nosso”, aos seus discípulos em duas situações. Na primeira, Jesus queria mostrar aos discípulos que eles não deveriam fazer orações para mostrar aos outros sua devoção, mas sim para adorá-Lo e para pedir bênçãos, como vemos no trecho acima. Em outra ocasião os seguidores de Jesus pediram-no que os ensinasse a orar, e ele deu o “Pai Nosso” como modelo. Porém essa oração não serve apenas como exemplo para pedirmos ao Pai, mas também como mandamento de Deus. Afinal seria incoerente orar o “Pai Nosso” se não pedirmos o que ela nos recomenda de forma sincera, e se não tivermos em mente os ensinos de Jesus. Em cada trecho dessa oração podemos ver um pouco do que Jesus espera de nós, e, se prestarmos atenção, podemos aprender sobre a vontade do Senhor para nós.

“Pai nosso que estás nos céus”
No início da oração podemos ver o amor de Deus, e que ele também quer que nós o amemos, Jesus nos pede para chama-Lo de Pai, o que nos mostra que ele quer nos educar e cuidar de nós (Jo 15:15), e que tenhamos comunhão, sejamos irmãos em Deus, afinal trata-se do “pai nosso” e não apenas do “pai meu”. Também vemos nesse início a soberania de Deus na afirmação de que ele está nos céus, um lugar acima de nós onde Ele governa o mundo (Is 45:5-7).

“Santificado seja o Teu nome”
Esse trecho reforça um dos pontos mais mencionados da Bíblia, a adoração. Jesus pede que logo após a invocação adoremos a Deus, algo que faz parte dos mandamentos, e é ordenado diversas vezes ao longo das escrituras sagradas (Dt 6:15; Sm 67). O trecho também nos lembra do terceiro mandamento, mostrando a importância que tem o nome do Senhor (Dt 5:11).

“Venha o Teu reino. Faça-se a Tua vontade, assim na Terra como no Céu.”
Essa parte da oração lembra que nós devemos ser submissos a Deus, reconhecer que ele tem todo o poder, e sua vontade é soberana, seja na terra ou no céu, afinal, não faria sentido pedir isso a Deus se não reconhecêssemos que a vontade Dele é superior à nossa, que ele sabe o que é bom (Jó 38). Além disso, Jesus nos pede que aguardemos o momento no qual o Reino de Deus virá sobre nós.  (Rom 8:17-19, 12:2; Ap 21:1-3)

“O pão nosso de cada dia dá-nos hoje.”
Nesse trecho, Jesus manda que reconheçamos nossa dependência em Deus, e possamos nos entregar nas mãos do Pai que cuida de nós e nos protege (Lc 12:24-28), fazendo isso, nós reconhecemos a grandeza de Deus. E a oração não fala apenas do pão que nos alimenta, mas também do próprio Jesus, que afirmou: “Eu sou o pão da vida.” (Jo 6:48-51), sendo assim, devemos confiar em Deus não só para que supra nossas necessidades nessa vida, mas também para que nos dê a salvação que só Jesus pode dar (Jo 6:12-13).

“E perdoa-nos nossas dívidas assim como temos perdoado aos nossos devedores.”
Logo após terminar de ensinar a oração a seus discípulos Jesus disse: “Porque, se perdoardes aos homens as suas ofensas, também vosso Pai celeste vos perdoará; se, porém, não perdoardes aos homens as suas ofensas, tampouco vosso Pai vos perdoará as vossas ofensas”. (Mt 6:14-15) Esse ensinamento nos mostra a importância do perdão, Jesus afirma que Deus perdoa nossos pecados, mas exige de nós a capacidade de perdoar os outros, refletindo a imagem dele (Gn 1:26-27).  Jesus reafirma várias vezes em seus ensinamentos que é muito importante perdoarmos quem nos ofendeu (Mt 18:21-35; Lc 7:40-48), ao perdoarmos estamos retribuindo o dom gratuito de Deus, quem nos dá a vida eterna apesar de pecarmos (Rom 6:23).  

“E não nos deixes cair em tentação, mas livra-nos do mal, pois Teu é o reino, o poder e a glória para sempre. Amém."
No final do “Pai Nosso”, Jesus nos ensina que oremos por proteção contra o pecado, que roguemos para não cair em tentação, e isso é algo que Ele quer de nós, que nos esforcemos para não pecar, e contemos com o fortalecimento de Deus quando passarmos por tentações (Mt 26:41; 1 Cor 10:13). A sabedoria é outra coisa que nos ajuda a não cair em tentação. Aprendemos isso com Jesus, quando Ele fora tentado, usando o conhecimento nas escrituras foi capaz de fugir à tentação, ele conhecia a vontade de Deus e respondeu às tentações usando sua sabedoria (Mt 4:1-11).

Podemos ver refletidos no “Pai Nosso” muitos princípios da crença cristã. Essa oração, apesar de ser um ótimo modelo de como adorar e pedir ao Senhor deve ser sincera e coerente com nossas vidas. Não devemos pedir coisas que não queremos realmente, então, com a ajuda do Espírito Santo devemos adequar nossa vontade a de Deus.

“Não se amoldem ao padrão deste mundo, mas transformem-se pela renovação da sua mente, para que sejam capazes de experimentar e comprovar a boa, agradável e perfeita vontade de Deus.”  (Rom 12:2)

Por Thiago Pereira Maia, 17 anos e membro da UPA IPV. A reflexão surgiu de um bate papo na reunião da UPA sobre a oração do 'Pai Nosso'.