segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Deus salva



No grito dos profetas do Antigo Testamento (como Joel, Miquéias e Amós), Deus convoca todos ao arrependimento (Jl 2.13, Mq 7.9, Am 5.4,5). E isso acontece em meio à advertência do caos de um mundo desobediente. Deus humilha a arrogância (Mq 2.4), embaralha a pretensa paz e a enganosa ordem humana (Mq 1.4, 6, Am 5.21).

À primeira vista, são relatos incômodos e tristes para nosso entendimento pós-moderno. Parece um Deus furioso e disposto a condenar os que são indiferentes a ele. Mas se mergulharmos nos relatos bíblicos e nos esforçarmos a entendê-los, veremos, na verdade, o magnífico chamado à salvação (Mq 2.12,13, Am 5.14). Deus salva, a despeito da nossa indisposição para ser salvo. Deus grita aos ouvidos surdos de quem se acha livre e próspero (Am 4).

Se a história terminasse no Antigo Testamento, minha mente continuaria crendo em Deus, mas confesso que talvez entrasse em um senso de urgência desesperado e sem medida. Talvez fosse isso o necessário naquele tempo dos profetas. Talvez até seja ainda necessário em algumas circunstâncias e lugares do nosso tempo.
É preciso dizer que Deus ainda é o “Deus que salva”. Sua voz ecoa, não mais pelos gritos dos profetas antigos, mas pela boca do próprio Deus (Hb 1.1-2). Jesus Cristo é o “Deus que salva” (Mt 1.21).

Deus se revela totalmente envolvido com a humanidade em seu contexto peculiar. “Deus salva” no Antigo Testamento por meio das vozes dos profetas, amando ferozmente, não se permitindo à indiferença. “Deus salva” no Novo Testamento, por meio da morte e da vida do próprio Jesus, amando humanamente, com firmeza e compaixão, não se permitindo ausente, mas totalmente presente nas histórias humanas.

Jesus Cristo não é “outro Deus”. Ele é a face completa de Deus que os fiéis de todos os tempos precisavam e precisam. Por meio de Jesus, a salvação se tornou acessível a todos e todas. Por meio de Jesus, a salvação se tornou o caminho para a vida eterna.

Por Lissânder Dias
Publicado originalmente no blog Fatos e Correlatos

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Embaixadores de Cristo



“Portanto, somos embaixadores de Cristo, como se Deus estivesse fazendo o seu apelo por nosso intermédio.” (2Co 5. 20).

A principal tarefa da Igreja é a pregação. Não só sua tarefa primordial como também a sua mais desesperada necessidade nos dias de hoje. Os púlpitos estão vazios de verdadeira pregação, o que encontramos na grande maioria são mensagens paliativas em um ambiente de culto, cujo objetivo central, é proporcionar entretenimento. Sim, a religião sempre correu o risco de tornar-se mero entretenimento, desde os dias dos festivais pagãos nas antigas Grécia e Roma. Ainda hoje, a religião também pode servir a este expediente, oferecer horas aprazíveis com boa música, ambiente acolhedor, uma mensagem estimulante, com atrações variadas. Neste contexto a pregação não ocupa a primazia na vida da Igreja. Poesias, testemunhos impactantes apelam para as emoções (sobretudo se partir de artistas, atletas e etc.), danças, jogral, teatros, longos louvores e por aí vai, ocupam grande parte do programa litúrgico. Quando a Igreja abre mão da centralidade da Palavra e da Pregação, essencialmente ela vai deixando de merecer e de ser chamada de Igreja, pois ela abre mão da sua missão especial e especializada, que não possui concorrentes entre as seitas, religiões, instituições, governos ou quaisquer outras agências, ainda que legítimas. Cabe somente à Igreja proclamar as excelências de Cristo. Somente a Igreja recebeu especial e tamanha comissão de apresentar o insondável plano de amor e salvação em Cristo. Somente a Igreja possui autoridade e legitimidade para confrontar o pecado, denunciar as estruturas pecaminosas e levar o pecador a reconhecer o seu estado de miséria. À Igreja, e a ninguém mais, concedeu Deus o ministério da reconciliação entre Deus e o homem pecador por meio do anuncio gracioso da Salvação.  Ela detém o poder das chaves e realiza este poder quando prega com fidelidade as Escrituras. Evidentemente que a pregação quando realizada com zelo e fidelidade, por mais dura e exigente, por si só produz um culto espiritual, um ambiente onde se testemunha a maravilhosa e excelsa presença de Deus e a ação consoladora e transformadora do Espírito Santo. Evidentemente, onde a Palavra de Deus ocupa seu lugar de primazia e centralidade, haverá lugar para as manifestações da estética que redundem e expressem a glória de Deus. O lirismo e a poesia serão apreciados como expressão de devoção e amor, e, o louvor prestará a seu fim supremo: A  Exclusiva Adoração a Deus! Onde as Escrituras são expostas de maneira fidedigna, os problemas e os dramas humanos são tratados em profundidade, sem paliativos, o Espírito que sempre acompanha a Palavra, ministra no mais profundo das almas e consciências, penetrando zonas e lugares que nenhum terapeuta ou medicamento poderiam jamais alcançar. Assim, onde a Escritura é soberana o homem é mais feliz. Neste sentido entendemos que a Igreja é mais que uma simples agência ou instituição religiosa, ela é uma espécie de Embaixada do Reino. Somos todos, sem exceção, Embaixadores de Cristo. Não possuímos uma opinião própria. Não emitimos nossos conceitos. Não recebemos comissão e autorização para dar o nosso ponto de vista à luz de nossas experiências pessoais. Não. Somos Embaixadores, representantes dos interesses e dos negócios do Rei do Reino, o Senhor Jesus Cristo. Falamos em nome de dele e só podemos falar a partir da Bíblia, por meio da pregação ordinária e docente (púlpito) e por meio do testemunho e do compromisso pessoal em viver o que cremos e aprendemos. A história prova e comprova que as maiores transformações sociais e os maiores avanços humanitários seguiram os tempos de avivamento e redescoberta das Escrituras Sagradas: hospitais, sanatórios, Universidades, Ensino básico gratuito, a democracia moderna, o ressurgimento das artes e etc. A religião quando subestima a autoridade da Palavra de Deus e a tira de seu centro vital na liturgia e na vida, produz Cruzadas, guerras, perseguições, obscurantismo intelectual, intolerâncias raciais e étnicas e o que é pior, torna-se refém de seu tempo e da cultura dominante, perdendo assim sua vocação profética e tornando-se instrumento de alienação a serviço do pensamento dominante. 
Ouçamos o conselho de Billy Grahan: “Estude a Bíblia para ser sábio; Creia nela para ser salvo; Siga seus preceitos para ser santo.
Por Rev. Luiz Fernando
Publicado originalmente em Igreja Presbiteriana Central de Itapira

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

O Cristão, a Política, a Igreja e os Políticos



“Tenham cuidado para que ninguém vos escravize com filosofias vãs e enganosas...” Colossenses 2.8

Correm os dias da campanha política. Meio morna é verdade, mas ela está aí. Os importunos carros de som, muitos “santinhos” e “informativos” infestam nossas garagens, e muitos sorrisos, apertos de mãos e tapinhas nas costas sem fim não faltam. Tudo isso faz parte do jogo político e de uma sociedade democrática e livre, excetuando-se os exageros, claro. Nestes dias nossas igrejas e comunidades evangélicas são visitadas com certa regularidade por candidatos e assessores. São sempre bem-vindos para ouvir a Palavra de Deus e participarem com os filhos de Deus da adoração. É verdade que muitos são verdadeiros alienígenas, suas aparições só acontecem nessas ocasiões e depois sua indiferença para com a Igreja e aquela comunidade de mulheres e homens cristãos volta para a mais absoluta insignificância no ponto de vista da maioria deles. Não me queixo disso, é apenas uma constatação. Afinal de contas, “ninguém vem, a mim [disse Jesus] se o Pai não o enviar”.  Contudo, é meu dever de Pastor desta Igreja orientar o meu rebanho nesta tensa, às vezes perversa, mas inescapável e necessária relação com as lideranças políticas, com a política e com os eventuais oportunistas. - fuja de um candidato que ofereça ajuda nos interesses da igreja ou que ofereça a defesa de nossa causa. O maior interessado em defender os interesses da Igreja é o dono dela, a saber, o Senhor Jesus Cristo e Ele mesmo e nenhum outro poderá defendê-la. - Não dê confiança a um candidato que diga que quer fazer uma parceria, uma “dobradinha” entre o governo ou mandato dele e a Igreja. A separação entre Igreja e Estado não é apenas uma separação institucional, que na verdade é saudável para ambos. Mas sim uma separação de natureza e propósitos. A Igreja cumpre com sua missão e se realiza, e contribui para o desenvolvimento da humanidade, da cultura e etc., fazendo o que lhe é próprio: testemunhando a Cristo e seu amor, anunciando o Evangelho, preparando homens e mulheres para servirem no mundo com os valores do Reino, cuidando dos pobres, defendendo o direito dos órfãos, viúvas e etc...ou seja vivendo de maneira profética emprestando sua voz aos marginalizados e desamparados. Já o Estado se torna o que deve ser, fazendo o que lhe é próprio e nunca se intrometendo em questões religiosas e morais. - Desconfie de um candidato que prometa terrenos, praças, facilidades. Há uma hipoteca moral nisso aí. A grande pergunta é, por que não nos procuraram antes, como cidadãos de bem querendo contribuir ou apoiar algumas de nossas iniciativas sociais? Não temos mais visibilidade agora em dias de campanha do que tínhamos antes e, de repente, parece que tudo vais ser mais fácil... - A vida pregressa conta sim e a vida pessoal também. A Lei da “Ficha Limpa” não pode vir a ser mais uma daquelas folclóricas iniciativas que não colam, precisamos fiscalizar. Se o TSE não ajudar e não cumprir com sua função, a responsabilidade fica conosco, de fazer a escolha certa. Investigue o candidato, procure saber como está a sua “Ficha”. Veja como administra os seus negócios particulares, se é um bom funcionário. Se ele não souber administrar a própria vida o que o faz crer que ele administrará bem a cidade? Se ele não é coerente, ético e zeloso como empregado ou funcionário público o que o faz pensar que ele agirá com probidade e impessoalidade na Câmara Municipal? - Por último, tenha cuidado com os políticos profissionais. A perpetuidade de muitas de nossas misérias, inclusive a corrupção, é a permanência dos mesmos de sempre, ou os do mesmo grupo. A alternância de poder, a rotatividade nas lideranças, o arejamento das ideias são conquistas importantes da democracia e são a maturidade do Estado de Direito. Evidentemente que só pelo fato de estar envolvido há muito tempo com a causa política não faz de alguém um ser desprezível. Existem autênticas vocações para o bem comum. Tampouco não quer dizer que um novo nome, uma novidade, possa ser de per si, uma coisa boa. Como eu disse, o voto é uma coisa séria, que não pode ser impensado. Não pode ser passional, não pode ser seduzido (prostituído?). É um exercício de cidadania, envolve critérios objetivos e éticos. Demanda pesquisa, investigação, comparação, ponderação. Quatro anos é tempo demais para errarmos. Verdadeiramente, voto não tem preço, tem consequência. Penso nisso, ore por isso, e vote com compromisso.

Por Rev. Luiz Fernando
Publicado originalmente em Igreja Presbiteriana Central de Itapira

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

O Evangelho dos Pobres



“Pois vocês conhecem a graça de nosso Senhor Jesus Cristo que, sendo rico, se fez pobre por amor de vocês.” (2 Co 8.9).

Jesus Cristo fez-se pobre. O Rei dos Reis quis nascer pobre entre os pobres, na periferia do Império Romano, e quis viver grande parte de sua vida na obscura e desprestigiada Nazaré. Segundo a sua linhagem humana, Jesus é descende da realeza, da estirpe de Davi. Todavia, Jesus integrou uma categoria muito especial de pessoas, a dos ANAWINS, isto é, dos pobres de YAWEH, o remanescente fiel. Estes pobres, além de serem despossuídos do acúmulo de bens, também eram despossuídos intencionalmente de riquezas e seguranças humanas de qualquer natureza. Não colocavam sua esperança em coisa alguma que não fosse os cuidados paternais de Deus e na esperança da realização de suas boas promessas. Jesus quando inicia o seu ministério público, de imediato se identifica com os pobres. Vai ao encontro deles, ensina os mistérios do Reino, cura as suas enfermidades, promove a libertação dos domínios de Satanás, provê pães e peixes, se compadece, consola e anuncia a salvação. Evidentemente que este amor de predileção pelos pobres nunca é excludente, há lugar no Reino e na Igreja para os mais afortunados, não restam dúvidas. Mas, não sem dificuldades devido ao perigo do apego do coração o que torna a alma pesada e o espírito presunçoso. Jesus Cristo apresenta um esboço do seu ministério em Lucas 4. 18-19: “O Espírito do Senhor está sobre mim, porque ele me ungiu para pregar boas novas aos pobres. Ele me enviou para proclamar liberdade aos presos e recuperação da vista aos cegos, para libertar os oprimidos e proclamar o ano da graça do Senhor.” Vemos assim que os pobres encontram-se, de alguma maneira, no centro das preocupações do Senhor Jesus, que outra coisa não fez do que retomar a preocupação com os pobres, órfãos e viúvas de seu Pai já Antigo Testamento e com o ano da restituição como o ano da graça em Levítico 25. 8-55. A Igreja não pode dar-se o luxo de ter outras preocupações acima dessas de Jesus, não pode alienar-se nesta cultura de superficialidade, futilidade, consumismo e escravidão dos prazeres. A Teologia da Prosperidade é uma distorção do projeto do Reino de Deus, mas existem outras distorções igualmente nefastas: fé sem obras, piedade sem compaixão pelos pobres, religião sem engajamento ético, discurso sem vida, culto sem demonstração de amor e interesse pelos que sofrem e etc. Uma igreja pode facilmente aburguesar-se, dar-se por satisfeita com sua alienação no sagrado, terceirizar inclusive a assistência aos desvalidos e ao cumprimento da ordem missionária em geral enquanto mantém em paz a sua consciência por cumprir o seu dever de religião. Há uma séria advertência no livro de Isaías que volta e meia deveríamos retornar a ela para não nos esquecermos dos essenciais de nossa fé: (leia Isaías 1. 10-17). Com esta pastoral não desejo voltar aos tempos do “Evangelho Social” e suas muitas mitigações. Tão pouco faço apologia da “Teologia da Libertação” e seus equívocos marxistas, longe de mim. Mas, quero desafiar a Igreja a aprofundar e assumir a MISSÃO INTEGRAL como conceito e como estilo de vida. Que todos nós, cada um segundo a medida da fé que tem e dos dons que recebeu, vivamos o Evangelho de maneira encarnada, inculturada, inserida em nossos múltiplos contextos que desafiam a validade e a genuinidade de nossa fé em Cristo. Rompamos com um cristianismo que vive em um universo paralelo como se coisa alguma em nosso derredor reclamasse nossa atenção e nossos cuidados. Não nos permitamos mais viver uma fé que se perde nos labirintos da burocracia e da política eclesiástica e que se vê refém de privilégios, títulos e cargos. Não aceitemos o espírito que nos faz perder mais tempo consertando as redes rompidas pelos puxões e repuxões de nosso “DNA” muitas vezes sectário e de interesse nem sempre nobres, do que jogando-as ao mar para pescar. Missão Integral significa Evangelho Integral: Ensino, Discipulado, Anúncio, Socorro, Cuidado, Defesa da Vida, Proteção do Meio Ambiente, Denúncia da Corrupção, Engajamento “Sociotransformador”, tudo isso, numa vida de simplicidade, gratidão, louvor, fraternidade e amor compadecido. Optar por uma vida assim e por fazer missões assim é optar ser uma Igreja Pobre para os Pobres como o Cristo Pobre, Senhor e Reis dos Reis.

Por Rev. Luiz Fernando
Publicado originalmente em Igreja Presbiteriana Central de Itapira

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Quando Deus põe você na espera



“Espera no Senhor, tem bom ânimo” (Salmo 27:14)
Se você costuma viajar de avião, é possível que esteja familiarizado com o termo “padrão de espera”. É quando o avião fica impossibilitado de aterrissar devido a condições desfavoráveis em terra. Geralmente o piloto anuncia que lhe foi ordenado manter um padrão de espera até receber uma autorização da torre de controle para que possa aterrissar. Isso ocorre regularmente, e por isso os aviões precisam levar combustível suficiente para permanecerem no ar para que possam aterrissar com segurança. A Bíblia diz: “Espera pelo Senhor, tem bom ânimo, e fortifique-se o teu coração”. Quando Deus coloca você no padrão de espera, não se trata apenas de ter fé suficiente para receber a Sua promessa, trata-se também de ter preparo espiritual suficiente para permanecer no ar esperando até que algo aconteça. É por isso que você precisa carregar combustível espiritual suficiente para lidar com os atrasos e esperar pela liberação de Deus.
A Bíblia se refere ao Espírito Santo como “um vento impetuoso” (Atos 2:2). Depois de Deus ter feito Noé aguardar o tempo suficiente para realizar o seu propósito, “Ele enviou um vento” (Gn 8:1). Sempre que um vento sopra vindo da presença de Deus, não importa como, ele sopra para longe todos os impedimentos e obstáculos, e prepara o terreno para que você possa seguir em frente. Ele derruba o espírito de temor e de peso que o faz querer desistir.
Davi perguntou a Deus “Que é o homem, para que dele te importes?” (Sl 8:4). Mesmo em tempos de frustração e espera, Deus ainda está pensando em você e operando para o seu bem. Quando Ele demora não significa que está recusando algo a você. Então, quando sentir uma brisa divina em seu espírito, rejubile-se, pois é sinal de que Ele está preparando você para aterrissar e que boas coisas estão para acontecer!
Transcrito do Projeto Água Viva