sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Retrospectiva 2011


Acamps IPV - turma da UPA

Ao terminar o ano de 2011 nos surpreendemos com a quantidade de coisas realizadas, se soubéssemos no início do ano o tanto de coisa que teríamos que fazer, talvez os nossos pés fraquejassem. Este ano foi mais um desses que a gente fica boquiaberto quando termina, relembre aí:

Sítio da Lívia

Encontros da UPA em números: 45 encontros com 35 mensagens + 5 testemunhos + 39 devocionais + 2 vídeos-debate. 12 adolescentes contribuíram com devocionais e/ou mensagens. Média de 26 pessoas por reunião ao longo do ano.

Números da Escola Dominical dos adolescentes: 50 aulas + 9 professores + 2 classes + média de 27 alunos. Repare que a frequência na UPA e na ED são quase as mesmas, embora nem sempre são os mesmos que frequentam ambas!

Em 2011 funcionaram 7 grupos de discipulado na UPA, envolvendo 44 adolescentes e 13 jovens responsáveis pelos grupos. Cada grupo teve em média 34 encontros ao longo do ano, e estudamos o livro do C. S. Lewis - Cristianismo Puro e Simples.

Algumas atividades merecem destaque: uma galera da UPA participando da ABS, duas UPA 24 horas, intercâmbio com os adolescentes de Wisconsin, primeira campanha de vacinação pelos bons tratos realizada em Viçosa, visita a Dores do Turvo para conversar sobre o reino de Deus com a galera de lá, oficina de artes com o Igor para aprender a grafitar, clube de leitura – Surpreendido pela Esperança (N. T. Wright), visitas semanais a casa de acolhimento Esperança do Amanhecer, acampamento da IPV em Anchieta/ES.

Dia dos pais


Campanha de Vacinação pelos bons tratos às crianças e adolescentes


Galera em Dores do Turvo











E como não podia fazer, a bagunça na casa de acolhimento - Esperança do Amanhecer




Tudo isso foi possível pelo interesse da turma da UPA-IPV e o trampo da D2011. Para se ter uma ideia, a diretoria teve 42 reuniões no ano, que somam aproximadamente 84 horas de planejamento, discussão e oração. Podemos dizer como o profeta Samuel (I Sm 7:12): Ebenézer! Até aqui nos ajudou o Senhor.

D2011

A oração da UPA para 2012 é que o Senhor renove nossas forças, mente e coração, a fim de que sejamos sempre abundantes em sua obra e haja um desenvolvimento saudável da fé e mente na presença do Senhor. Amém!

Obreiro da UPA de Viçosa (IPV)

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Reflexão Natalina

Foto de Joana Coelho
Houveram trevas, mas passaram. Houveram castigos, mas se acabaram. Houve quebra no relacionamento do criador e da criação, mas foi reconciliado. Hoje é natal. Hoje comemoramos a passagem das trevas para a luz, o perdão por nossos pecados e a restauração de nosso relacionamento íntimo com Deus. Mas isso não seria na Páscoa? Páscoa e natal estão interligados, no natal o Verbo se fez carne, na Páscoa o Verbo se fez pecado e se deu por nós. Aquele que não tinha pecado algum se encheu de pecado para os pecadores alcançarem o perdão. Desprezar esse sacrifício é o pior crime que um ser humano pode cometer. Saber do que Jesus fez por nós e não reconhecê-lo como nosso Senhor e Salvador é um passo direto para o fogo do inferno. O fogo de Udûn, para quem é fã de Tolkien. O fogo de Anor seria o fogo de Cristo, que é o Sol Nascente, a Estrela da Manhã. O fogo de Anor refina aqueles que são prata e ouro, mas queima aqueles que são palha. O Sol Nascente vem logo após a escuridão. E quando nasce é o natal, o Primeiro Natal. É isso que comemoramos hoje, no dia 25 de dezembro. Agora devemos esperar pelo retorno da luz. Mas essa noite nem se compara a anterior, pois agora temos uma lua que reflete a luz enquanto estamos nesse mundo, que é a Igreja de Cristo.

Por Davi Bastos (adolescente da UPA IPV)
Publicado originalmente no seu blog Reflexões 

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Papai Noel ou Emanuel?



A virgem ficará grávida e dará à luz um filho,
e lhe chamarão EMANUEL, que significa Deus conosco”
(Evangelho de Mateus, 1.23 - NVI).
 
Natal com papai noel
é presépio montado, é árvore iluminada,
é cartão colorido, é presente variado,
é abraço amigo, é voto formulado,
é mesa farta, é ajuntamento fraterno,
é sino tocando, é música inspiradora,
é reconciliação entre litigantes, é tregua na guerra,
é indulto ao detido, é família unida,
é reavaliação de valores, é recomposição de ideais,
é cântico laudatório,
é fantasia milenar que pode frustrar. 
Natal SEM Jesus, o EMANUEL,
é amanhecer sem sol, entardecer sem luz,
é céu encoberto, horizonte sombrio,
é mar revolto, vento tempestuoso,
é deserto sem oásis, fonte sem água,
é jardim sem flores, árvore sem frutos,
é violino sem corda, cantor afônico,
é balão sem ar, veículo sem combustível,
é festa sem música, comemoração sem júbilo,
é sombra que se esvai, lembrança só dezembrina,
é presépio sem Maria, José e o Menino-Deus,
é gente cansada de viver, desesperada de tudo,
é alma tristonha e inconsolável,
é espírito ressentido e amargurado, 
Natal COM Jesus, o EMANUEL,
é a boa nova de grande alegria,
é o Salvador, Cristo, o Senhor,
é o Insondável Amor voltado para o carente,
é o Príncipe da Paz para um mundo beligerante,
é o Rei dos reis para uma nação em desgoverno,
é o impecável Justo para vergonha dos corruptos,
é a Promessa de Plenitude de Justiça para os povos,
é a Grande Luz resplendente na vereda tenebrosa,
é o Caminho único para o Supremo Deus,
é a Verdade em antítese à falsidade,
é a Vida Radiante para a morbidez de espírito,
é o Bom Pastor, que dá a vida pelas ovelhas,
é o Portal da Esperança para o desvalido.
  é Deus conosco, Cristo Encarnado,
é a realidade viva que jamais decepciona,
a única razão de ser do verdadeiro Natal! 

Kléos Magalhães Lenz César
Niterói, Natal 2011

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Salvação: dádiva de Deus e não conquista do homem




A salvação não é um prêmio que recebemos por causa das nossas obras, mas um presente que recebemos por causa da graça. Não conquistamos a salvação pelo nosso esforço, recebemo-la pela fé. Não é resultado do que fazemos para Deus, mas do que Deus fez por nós. Falando a Nicodemos, Jesus destacou essa verdade axial no versículo mais conhecido da Bíblia: “Porque Deus amou ao mundo de tal maneira, que deu o seu Filho unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna”. Nesse versículo nós encontramos sete verdades preciosas acerca dessa tão grande salvação. 

Em primeiro lugar, a salvação é grande pela sua procedência. “Porque Deus amou…”. O Deus Todo-poderoso, criador do universo e sustentador da vida tomou a iniciativa de nos amar, mesmo antes da fundação do mundo. Seu amor por nós é eterno, deliberado, autogerado e incondicional. Deus não nos amou por causa dos nossos méritos, mas apesar dos nossos deméritos. A causa do amor de Deus não está em nós, mas nele mesmo.

Em segundo lugar, a salvação é grande pela sua amplitude. “Porque Deus amou ao mundo…”. Deus amou as pessoas de todos os tempos, de todas as raças, de todos os lugares, de todas as classes e de todos os credos. Amou não aqueles que o amavam, mas amou-nos quando éramos fracos, ímpios, pecadores e inimigos. Amou-nos não porque correspondíamos ao seu amor, mas amou-nos apesar de nossa rebeldia. 

Em terceiro lugar, a salvação é grande pela sua intensidade. “Deus amou ao mundo de tal maneira…”. Essa expressão de “tal maneira” aponta para o amor singular, incomparável e superlativo de Deus. Seu amor não foi apenas falado, mas demonstrado. Demonstrado não com cenas arrebatadoras, mas com o sacrifício supremo. O amor de Deus não foi esculpido com letras de fogo nas nuvens, mas demonstrado na cruz. 

Em quarto lugar, a salvação é grande pela sua dádiva. “Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito…”. Deus não deu ouro e prata nem mesmo um anjo para a nossa redenção. Deus deu tudo, deu a si mesmo, deu o seu único Filho. Deu-o para que ele se esvaziasse e vestisse pele humana. Deu-o para que seu Filho fosse rejeitado e desprezado entre os homens. Deu-o para que seu Filho suportasse o escárnio das cusparadas e suportasse a maldição da cruz. Deu-o como sacrifício para o nosso pecado. 

Em quinto lugar, a salvação é grande pela sua oportunidade. “Porque Deus amou ao mundo de tal maneira que deu seu Filho unigênito, para que todo o que nele crê…”. A salvação não é recebida como fruto do merecimento, mas como resultado da graça mediante a fé. A salvação não é dada àqueles que se julgam santos nem àqueles que praticam boas obras com o propósito de alcançarem o favor de Deus. A salvação é oferecida gratuitamente àqueles que crêem em Cristo. Não é crer em anjos nem em santos, mas crer em Jesus, o Filho de Deus. Jesus é o caminho para Deus, a porta do céu, o único mediador que pode nos conduzir ao Pai. 

Em sexto lugar, a salvação é grande pela sua libertação. “Porque Deus amou ao mundo de tal maneira, que deu o seu Filho unigênito, para que todo o que nele crê não pereça…”. A salvação é o livramento da ira vindoura, é a soltura das cadeias da morte, é a alforria dos grilhões do inferno. Aqueles que permanecem incrédulos perecerão eternamente. Aqueles que se mantêm rebeldes contra o Filho jamais verão a vida nem desfrutarão do paraíso de Deus. Aqueles que não beberem da Água da Vida, terão que suportar o fogo que nunca se apaga. 

Em sétimo lugar, a salvação é grande pela sua oferta. “Porque Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo o que nele crê, não pereça, mas tenha a vida eterna”. Deus não apenas livra da condenação os que crêem, mas também oferece a eles vida eterna. A vida eterna é uma perfeita e íntima comunhão com Deus pelo desdobrar da eternidade. A vida eterna será como uma festa que nunca mais vai acabar, no melhor lugar, com as melhores companhias, com a melhor música, com as melhores iguarias, trajando vestes alvas. Enquanto a eternidade durar, desfrutaremos dessa gloriosa vida. Bendito seja Deus por tão grande salvação!



sábado, 24 de dezembro de 2011

Porque Inventei o Natal

Por Guilherme de Carvalho
O nascimento de Jesus retratado numa tela de 1535-40, pintada pelo artista florentino Agnolo Bronzino.


Me lembro de curtir natais maravilhosos em família desde pequeno. Sempre havia nozes, passas (eu detestava isso...) presentes (ah, disso
eu gostava!) Jesus, Belém, neve, parentes distantes, papai noel... Eu não sabia bem se era uma festa cristã ou não; só sabia que era bom.
Daí várias igrejas descobriram que a origem da festa de Natal era pagã. Fomos informados de que o 25 de dezembro fora o dia do solstício de inverno no hemisfério norte, que era a data de adoração ao deus-sol, que Jesus não nasceu nessa data, que a Igreja Católica pegou a data para combater a idolatria, etc. Daí, como bons crentes e anticatólicos, abolimos o natal. Nada de paganismo. Nada de presentes, neve (bem, isso não tinha mesmo), parentes, Belém, papai noel, nozes...

Não estou certo de que nos livramos do paganismo com isso. Sim, me livrei das passas mas, tristemente, as nozes foram embora junto!

Será então que crente não pode fazer festa? "Ora, pode sim" - me disseram. "O cristão tem duas festas para comemorar: a data do seu batismo e a ceia do Senhor". Daí acabou tudo: até a páscoa "foi pro saco". A princípio engoli a resposta, mas logo o barco começou a fazer água; "será que vão sumir com o dia do meu aniversário?"

Daí pra frente, graças a Deus, começou o caminho de volta. Aprendi que a ceia e o batismo não são "datas comemorativas". Hoje entendo que são sacramentos, e não meras lembranças. Portanto, não servem como substitutos para festas religiosas ou seculares.

Depois tive uma crise de calendário. Dando aulas de introdução histórica ao Novo Testamento no seminário, descobri que há boas evidências de que Jesus nasceu no final do ano mesmo. E mais: sua chegada foi anunciada por fenômenos astronômicos que os reis do oriente (que não eram judeus) interpretaram como um sinal divino. Como isso teria ocorrido sem que Deus usasse elementos de sua cultura e de sua religião?

Sim, nada disso bastaria para justificar a comemoração do Natal. O que me levou a retomar o Natal foi uma constatação muito mais prosaica: a de que o fim do ano sem Natal fica mais triste. E a única tristeza que faz bem é a do arrependimento. Para que servem datas comemorativas? Para relembrar o que não deve ser esquecido. Data de festa a gente inventa. E a gente inventa quando há algo de importante. Ora, o nascimento de Jesus não foi importante? Como é que podemos comemorar nossos aniversários sem nenhum sentimento de culpa e não podemos comemorar o aniversário da encarnação do Verbo? Se o Natal não existisse, teria que ser inventado!

Foi então que eu inventei o Natal. E decidi inventá-lo exatamente no dia 25 de Dezembro (já que não sabemos o dia certo em que ele nasceu). Porque escolhi essa data?

1. Para enfatizar que não existe nenhum deus-sol, mas apenas o Deus de Jesus Cristo;
2. Para lançar confusão sobre essa versão midiática pagã e melosa de Natal, que quer falar em Paz sem falar em Jesus Cristo;
3. Para contrariar todas as formas de cristianismo legalista, que se dedicam a coar mosquitos e engolir camelos;
4. Para alegrar às minhas duas filhinhas.

Com certeza há outras boas razões para fazer isso. Mas, sinceramente, considero a razão número 4 perfeitamente suficiente. Afinal, Deus não gosta de tristeza.

Se na sua vida não tem Natal, então invente!


Publicado Originalmente no Blog Guilherme de Carvalho

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Kalendas*: Proclamação do Natal de Nosso Senhor Jesus Cristo



25 de Dezembro, décima terceira Lua

"No ano cinco mil e cento e noventa e nove,
desde a criação do mundo,
quando Deus no princípio criou o céu e a terra;
no ano dois mil e novecentos e cinqüenta e sete, desde o Dilúvio;

No ano dois mil e quinze, desde o nascimento de Abraão;
no ano mil e quinhentos e dez, desde Moisés
e a saída do povo de Israel do Egito;

No ano mil e trinta e dois, desde a unção de Davi como rei;
na semana sexagésima-quinta, segundo a profecia de Daniel;
na centésima-nonagésima quarta Olimpíada;
no ano setecentos e cinqüenta e dois, desde a fundação de Roma;

No quadragésimo-segundo ano do império de César Otaviano Augusto;
quando estava em paz o orbe universo;
na sexta idade do mundo:
Jesus Cristo, Eterno Deus e Filho do Eterno Pai,
querendo santificar o mundo, com a sua vinda piedosíssima,
foi concebido do Espírito Santo;
e, decorridos nove meses após a concepção,
nasce em Belém de Judá, de Maria Virgem, feito homem:
O NATAL DE NOSSO SENHOR JESUS CRISTO, SEGUNDO A CARNE.

*As Kalendas, no antigo calendário romano, eram o primeiro dia de cada mês quando ocorria a Lua nova. É desta palavra que se originou o termo calendário.


Fonte: Martirológio Monástico

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

14 de Novembro


Isso que dá:


assistir um filme de fritar neurônios 
  + 
véspera de feriado nacional
  + 
muita pipoca 
 + 
brigadeiro 
 + 
refrigerante 
 + 
5 amigos de mente criativa =  


oh! oh! yeah! yeah!
oh! oh! yeah! yeah!


Numa tarde qualquer
Um dragão de três pernas 
(um desenho que o Davi ficou fazendo..)
Cinco amigos de Juntam 
(Clara, Davi, James Andrew, Liz e Pedro Paulo)
Pra assistir Amnésia 

(Esse filme é muito bom!!)
Eu estava lá, mas não me lembro bem
Cinco minutos é o que minha mente retém 
(menção ao filme..)
O milho preto esparrama pelo chão 
(Liz derramou um saco de milho preto)
Cinco dólares esvaíram da minha reles mão 
(um milho que o Pedro trouxe dos EUA e custava 5$)


yeah! yeah!
oh! oh! yeah! yeah!

Mas não faz mal
Eu tô legal
E amanhã é feriado nacional


Toca o telefone, 
 - Alou quem é? 
- "Sou eu norinha é a Zezé, 
só liguei pra uma notícia te dar
de mala e cuia pra Viçosa eu vou mudar"
(isso aconteceu mesmo)
Meu bem, escuta essa, 
o presente chegou antes da festa


Mas não faz mal
Eu tô legal
E amanhã é feriado nacional


oh! oh! yeah! yeah!
(improvisações)


Flores


Por Beatriz Lima (UPA IPV)

As flores são como simples doces
Como brincadeiras de crianças
Como próximas chances
Como fontes de esperanças.

Seu néctar é recolhido por abelhas
Seu doce é como várias fontes
Carregadas por formigas aleias
Até o topo dos montes.

Essas flores são como uma simples Lua
Como seus olhos que radia uma linda luz
Como eu te vejo feliz na rua.

Seu brilho é como um cristalino mar
Seu cheiro é tão doce que me conduz
Que quando passo por você, sinto que estou no meu lar.

Publicado originalmente no Blog da Bia - Versos de uma garota

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

A BUSCA DA SANTIDADE


Por John Stott
Muitos dos segredos da santidade nos são revelados nas páginas da Bíblia. De fato, um dos objetivos principais da Escritura é mostrar ao povo de Deus como levar uma vida que lhe seja digna e que lhe agrade. Porém um dos aspectos mais negligenciados na busca da santidade é a parte que compete à mente. O próprio Jesus pôs o assunto fora de qualquer dúvida quando prometeu: “conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará”. É mediante a sua verdade que Cristo nos liberta da escravidão do pecado. De que forma? Onde se encontra o poder libertador da verdade?

Para começarmos, precisamos ter um quadro bem claro do tipo de pessoa que Deus pretende que sejamos. Temos de conhecer a lei moral de Deus e os mandamentos. Como expressou John Owen: “o bem que a mente não é capaz de descobrir, a vontade não pode escolher, nem as afeições podem se apegar”.. Portanto, “na Escritura o engano da mente comumente se apresenta como o princípio de todo pecado”.

O melhor exemplo disso pode-se encontrar na vida terrena do nosso Salvador. Por três vezes o diabo aproximou-se dele e o tentou no deserto da Judéia. Nas três vezes Ele reconheceu que a sugestão que Satanás lhe fizera era má e contrária à vontade de Deus. Três vezes Ele se opôs à tentação com a palavra gegraptai: “está escrito”. Jesus não deu margem a qualquer discussão ou argumentação. A questão já estava decidida, logo de partida, em sua mente. Pois a Escritura estabelecera o que é certo. Este claro conhecimento bíblico da vontade de Deus é o segredo básico de uma vida reta.

Não basta sabermos o que deveríamos ser, entretanto. É preciso ir mais além e resolver em nossas mentes alcançar este objetivo. A batalha é quase sempre ganha na mente. É pela renovação de nossa mente que nosso caráter e comportamento se transformam. Assim é que, seguidamente, a Escritura nos exorta a uma disciplina mental nesse sentido. “Tudo o que é verdadeiro”, diz ela, “tudo o que respeitável, tudo o que é justo, tudo o que é de boa fama, se alguma virtude há e se algum louvor existe, seja isso o que ocupe o vosso pensamento”.

De novo: Se fostes ressuscitados juntamente com Cristo, buscai as coisas lá do alto, onde Cristo vive, assentado à direita de Deus. Pensai nas coisas lá do alto, não nas que são aqui da terra; porque morrestes, e a vossa vida está oculta em Deus, juntamente com Cristo.

De novo ainda: “Os que se inclinam para a carne cogitam das coisas da carne; mas os que se inclinam para o Espírito, das coisas do Espírito. Porque o pendor da carne dá para a morte, mas o do Espírito, para a vida e paz”.

O autocontrole é, antes de tudo, o controle da mente. O que semeamos em nossas mentes, colhemos em nossas ações. O lema de uma recente campanha publicitária foi “Ler É Viver”. É um testemunho do fato de que a vida não consiste apenas em trabalhar, comer, dormir. A mente tem de ser também alimentada. E o tipo de comida que nossas mentes receberem determinará que tipo de pessoa seremos. Mentes sadias têm um apetite sadio. Temos de satisfazê-las com alimento saudável, e não com drogas e venenos intelectuais perigosos.

Há, entretanto, uma outra espécie de disciplina mental a que somos convocados no Novo Testamento. Temos que considerar não somente o que deveríamos ser, mas também o que, pela graça de Deus, já somos. Devemos constantemente nos lembrar do que Deus já fez por nós, e dizer a nós mesmos: “Deus uniu-me com Cristo em sua morte e ressurreição, e assim acabou com a minha velha vida e me deu uma vida completamente nova em Cristo. Adotou-me em sua família e me fez seu filho. Pôs em mim seu Espírito Santo, fazendo de meu corpo seu templo. Também tornou-se seu herdeiro e prometeu-me um destino eterno, consigo, no céu. Isto é o que Ele fez para mim e em mim. Isto é o que sou em Cristo”.

Paulo não se cansa de nos incitar a que deixemos nossas mentes pensar nessas coisas. “Quero que saibais”, ele escreve. “Porque não quero, irmãos, que ignoreis...”E cerca de dez vezes em suas cartas aos Romanos e Coríntios ele profere esta pergunta incrédula: “Não sabeis...” “Não sabeis que todos os que fomos batizados em Cristo Jesus , fomos batizados na sua morte?” Não sabeis que daquele a quem vos ofereceis como servos para obediência, desse mesmo a quem obedeceis sois servos...? “Não sabeis que sois santuários de Deus, e que o Espírito de Deus habita em vós?” “Não sabeis que os vossos corpos são membros de Cristo?

A intenção do apóstolo nesta enxurrada de perguntas não é apenas fazer-nos sentir envergonhados por nossa ignorância. É antes fazer com que nos dizem respeito, as quais de fato nos são bem conhecidas; e que falemos entre nós sobre elas até o ponto em que se apoderem de nossas mentes e moldem o nosso caráter. Não se trata do otimismo de autoconfiança de Norman Vicent Peale, cujo método procura conseguir que façamos de conta que somos algo que não somos. O método de Paulo é nos lembrar do que realmente somos, porque assim nos fez Deus em Cristo.



Fonte: Crer é também pensar, John Stott.

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Me inclua fora disso


Marina Silva, na Folha de S.Paulo

A transição vivida pelo Brasil -que, sendo uma economia emergente, caminha rumo à posição de país desenvolvido- não pode, em nome dos desejáveis e necessários ganhos, levar-nos a uma atitude de complacência. Ainda há muito chão a ser vencido.

Relatório recentemente divulgado pelo Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância) revela o que muitos ainda não querem ver. Intitulado “O direito de ser adolescente”, o documento apresenta uma radiografia da situação dos adolescentes brasileiros, uma realidade chocante e desafiadora. São 21 milhões de cidadãos com idades entre 12 e 17 anos, e destes, 20% estão fora da escola.

Parece difícil acreditar, mas pelo menos um quinto de nossos adolescentes está longe do que há de mais importante nesse período da vida: educação. Fora da escola, eles estarão, em sua maioria, condenados ao subemprego e à baixa remuneração, impedidos de ascender socialmente e convidados a engrossar estatísticas que, durante muito tempo, têm envergonhado o país. Eles terão tudo para reproduzir as condições de pobreza em que estão inseridos.

Ao contrário do que se esperava, o percentual de adolescentes vivendo em famílias extremamente pobres cresceu entre 2004 e 2009, passando de 16,3% para os atuais 17,6%. Ou seja, a pobreza recua na população brasileira em geral, mas cresce entre eles.

Há algo em nossas políticas de combate à pobreza que precisa ser ajustado. Sem mais investimentos em educação, sem um bom ensino médio, sem uma escola eficiente e prazerosa, capaz de fazer parte de suas vidas, esses adolescentes ficarão do lado de fora daquele futuro tão esperado pelo povo brasileiro.
Talvez haja consenso de que o foco das políticas públicas deva ser dirigido às crianças e aos adolescentes, mas eles estão ficando de fora de onde deveriam estar: na escola.

Continuam muito vulneráveis à miséria e à violência. A cada dia, 11 adolescentes são assassinados no Brasil. Ainda segundo a pesquisa, dos 4,3 milhões de brasileiros com idades entre 5 e 17 anos que exercem algum tipo de atividade laboral, 77% (ou 3,3 milhões) têm entre 14 e 17 anos. Mais: com base em dados do IBGE, o número de lares chefiados por adolescentes mais do que dobrou em uma década: são 661 mil.

O relatório do Unicef acerta ao ir além das estatísticas, ouvindo adolescentes e buscando conhecer realidades muito específicas, como a de quilombolas e a de indígenas -que vivem em situação ainda mais dramática. Esses jovens deixam de ser número e ganham cara e voz. Assim, cada um deles pode repetir, em coro, bem perto de nós, em paradoxal jargão adolescente: “Me inclua fora disso”.

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Um afrodisíaco chamado santidade


Que o assunto mais falado entre os homens e, principalmente, entre os adolescentes é sexo, isso não é novidade pra ninguém, mas mesmo falando tanto do assunto, continua um mistério quando se fala em conquistar o sexo oposto. Os homens nunca entenderam direito as mulheres e percebo que o oposto acontece da mesma maneira.

Quando chegamos a puberdade, logo percebemos que o grande desafio dessa fase é: como conquistar alguém do sexo oposto? Sentimos uma forte necessidade de ser desejado pela mulher que nós escolhemos.

Partem para o ataque sem experiência nenhuma, pois os seus amigos estão na mesma situação e são muito orgulhosos ou tímidos para perguntar para as meninas ou para os mais velhos, quais são os caminhos.

Muitos agem igual o pavão, que arrepia suas penas mostrando o quão coloridas são. Meninos fazem isso com roupas, penteados e apetrechos, mas logo percebem que até são reparados por fazer isso, mas não atingem o objetivo de ser desejado.

Outros usam uma tática de camaleão, se camuflam e inventam coisas para tentar impressionar a garota, mas com o tempo são desmascarados e acabam caindo em descrédito, sendo isolados.

Mas o pior é quando dão ouvidos a maior besteira que já ouvi: as mulheres gostam de homens safados, que dão em cima de todas. Estes sofrem muito até perceber o quanto estão sozinhos e como será grande o caminho de volta.

O que nunca nos falaram é que o melhor afrodisíaco já inventado na conquista entre os jovens é a santidade. Isso mesmo que você leu!

No processo de paquera entre duas pessoas, várias coisas são importantes, como sinceridade, amizade, “beleza”, mas o que deixa uma pessoa encantada é quando ela vê que você tem princípios e que vai respeitá-la mesmo a desejando muito.

Com isso a mulher não resiste e se derrete na hora, pois é o que ela mais procura na vida, alguém separado com princípios e que a respeite.

Da mesma forma com as mulheres, vejo algumas achando que se transar, ou pior, engravidar do rapaz que gosta vai fazer ele desejar ficar com ela pra sempre. Isso não acontece, muito pelo contrário, só afastará mais ele.

O que atrai o homem e até o excita é ver uma mulher que se respeita e tem princípios, e que não negocia o que acreditar ser certo.

Não sei por que esconderam isso da gente, a formula planejada na matriz, que não tem efeitos colaterais e que nos ajuda na fase mais difícil de se aceitar e de conquistar.

Ser santo, além de agradar o Pai, é um ótimo afrodisíaco para conquistar quem você ama!

Por Marcos Botelho
Publicado nos sites SexxxChurch e no Blog do Marcos Botelho

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

A cultura do desperdício não se deve aplicar à vida espiritual



"A alma farta pisa o favo de mel, mas à alma faminta todo o amargo é doce" (Provérbios 27. 7).

No momento de fartura muitas vezes ficamos acomodados podendo escolher entre o que comer e o que descartar. Somos tentados a desfazer de bens ou objetos de valor, às vezes até por não termos onde coloca-los.

O desperdício é comum e não valorizamos, na verdade nem sabemos exatamente aquilo que temos. Joga-se fora preciosidades como se fossem sucatas, simplesmente para desocupar o espaço para algo novo que vai chegar. Temos excesso e não podemos manter objetos velhos e obsoletos que julgamos desnecessários e inúteis.

Vivemos este tempo com as facilidades, graças a globalização que nos permite ter acesso a diferentes bens de consumo. Lembro-me da primeira camiseta que ganhei. Foi uma festa e uma emoção muito grande. Hoje, compra-se camisetas por centavos nos chamados "Brechós". Isto aparentemente é muito bom, mas, obviamente, tem o seu lado ruim. Afinal, há algo implícito em tudo isto que um dia veremos. 

Com toda esta mania de desperdício e descarte, o ser humano se encheu de vento e num momento acabou desvalorizando não só os objetos, mas, sobretudo, pessoas e princípios. Na onda da globalização, do consumo exagerado, muitas pessoas também são "consumidas" e já não se dão mais o devido valor. A alma está farta e pisa o favo de mel. Vivemos a cultura do consumo, do desperdício, do gasto desenfreado. Nos esquecemos que o período das "vacas gordas" vai passar, portanto precisamos armazenar para quando chegar o período das "vacas magras". Gastar é bom, mas poupar é muito melhor. Afinal, a vida é cheia de imprevistos e precisamos estar preparados para quando eles chegarem.

Na nossa vida espiritual também acontece assim. Podemos aplicar este provérbio salomônico ás nossas vidas. Quantas vezes nos sentimos fartos e nos achamos melhores do que os nossos irmãos e iguais a Deus. Sabemos tudo e podemos todas as coisas. As vezes, ao invés de pedir ajuda a Deus, supomos que Ele é quem precisa de nossa ajuda. E às vezes dizemos: eu vou contribuir para ajudar a igreja, quando na verdade a contribuição é um dever e um prazer para o cristão obediente à Palavra de Deus. Pisamos o favo de mel (a Palavra)quando deveríamos nos alimentar dela. "Oh! quão doces são as tuas palavras ao meu paladar! mais doces do que o mel á minha boca." (Salmos 119. 103). Nos sentimos importantes e fartos, temos dinheiro, podemos consumir à vontade... Cultos de oração e escolas dominicais são para "outros crentes". Ficar de joelhos orando ou sentados ouvindo aquele "professorzinho", isto não é para mim. Cantar aqueles hinos antigos jamais! Hoje é música gospel com outro ritmo e outra roupagem musical. Quantas vezes chorei na presença de Deus cantando "Oh, quão cego andei e perdido vaguei, longe, longe do meu Salvador". E até hoje este é um de meus hinos preferidos. "À alma faminta todo o amargo é doce".

Hoje o consumo é geral, tomou conta de quase todos. Nem precisa mais de dinheiro nem de cheques, agora temos o dinheiro de plástico, os cartões de crédito e se pode comprar de tudo pela internet. Ainda que isto seja um avanço, algo fundamental, não deve ser aplicado à nossa vida espiritual. Meia hora de joelhos na presença do Senhor vale muito. "Porque vale mais um dia nos teus átrios do que em outra parte mil". (Salmos 84.10a). O mundo está desperdiçando tudo, jogando fora a oportunidade, talvez única que está tendo. Como cristãos, vamos aproveitar este momento e armazenar para quando chegar os sete anos das "vacas magras". Na presença do Senhor nos enchemos do óleo santo e armazenamos mais para quando o Noivo Amado chegar.


Por Cícero Alvernaz
 Publicado Originalmente em Ultimato

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

A maldição da culpa



Por John Piper 
"Satanás usa a culpa decorrente desses pecados para extirpar todo sonho radical que a pessoa teve ou poderia vir a ter."
Em 26 anos de pastorado, o mais perto que eu havia chegado de ser demitido da Igreja Batista Bethlehem foi em meados da década de 1980, depois de escrever um artigo intitulado Missões e masturbação para nosso boletim. Eu o escrevi ao voltar de uma conferência sobre missões presidida por George Verwer, presidente da Operação Mobilização. No evento ele disse como seu coração pesava pelo imenso número de jovens que sonhavam em obedecer completamente a Jesus, mas que acabavam se perdendo na inutilidade da prosperidade americana. A sensação constante de culpa e indignidade por causa de erros sexuais dava lugar, pouco a pouco, à falta de poder espiritual e ao beco sem saída da segurança e conforto da classe média.

Em outras palavras, o que George Verwer considerava trágico – e eu também consideroé que tantos jovens abandonem a causa da missão de Cristo porque ninguém lhes ensinou como lidar com a culpa que se segue ao pecado sexual. O problema vai além de não cair; a questão é como lidar com a queda para que ela não leve toda uma vida para o desperdício da mediocridade. A grande tragédia não são práticas como a masturbação ou a fornicação, e nem a pornografia. A tragédia é que Satanás usa a culpa decorrente desses pecados para extirpar todo sonho radical que a pessoa teve ou poderia vir a ter. Em vez disso, o diabo oferece uma vida feliz, certa e segura, com prazeres superficiais, até que a pessoa morra em sua cadeira de balanço, em um chalé à beira de um lago.

Hoje de manhã mesmo, Satanás pegou seu encontro das duas da manhãseja na televisão ou na cama – e lhe disse: “Viu? Você é um derrotado. O melhor é nem adorar a Deus. Você jamais conseguirá fazer um compromisso sério para entregar sua vida a Jesus Cristo! É melhor arrumar um bom emprego, comprar uma televisão de tela plana bem grande e assistir o máximo de filmes pornográficos que agüentar”. Portanto, é preciso tirar essa arma da mão dele. Sim, claro que quero que você tenha a coragem maravilhosa de parar de percorrer os canais de televisão. Porém, mais cedo ou mais tarde, seja nesse pecado ou em outro, você vai cair. Quero ajudá-lo a lidar com a culpa e o fracasso, para que Satanás não os use para produzir mais uma vida desperdiçada.

Cristo realizou uma obra na história, antes de existirmos, que conquistou e garantiu nosso resgate e a transformação de todos que confiarem nele. A característica distintiva e crucial da salvação cristã é que seu autor, Jesus, a realizou por completo fora de nós, sem nossa ajuda. Quando colocamos nele a fé, nada acrescentamos à suficiência do que fez ao cobrir nossos pecados e alcançar a justiça que é considerada nossa. Os versículos bíblicos que apontam isso com mais clareza estão na epístola de Paulo aos Colossenses 2.13-14: “Quando vocês estavam mortos em pecados e na incircuncisão da sua carne, Deus os vivificou com Cristo. Ele nos perdoou todas as transgressões e cancelou o escrito de dívida, que consistia em ordenanças, e que nos era contrária. Ele a removeu, pregando-a na cruz”.

É preciso pensar bem nisso para entender plenamente a mais gloriosa de todas as verdades: Deus pegou o registro de todos os seus pecados – todos os erros de natureza sexual – que deixavam você exposto à ira. Em vez de esfregar o registro em seu rosto e usá-lo como prova para mandar você para o inferno, Deus o colocou na mão de Seu filho e pregou na Cruz. E quem são aqueles cujos pecados foram punidos na cruz? Todos que desistem de tentar salvar a si mesmos e confiam apenas em Cristo. E quem assumiu essa punição? Jesus. Essa substituição foi a chave para a nossa salvação.

Alguma vez você já parou para pensar no que significa Colossenses 2.15? Logo depois de afirmar que Deus pregou na cruz o registro de nossa dívida, Paulo escreve que o Senhor, “tendo despojado os poderes e as autoridades, fez deles um espetáculo público, triunfando sobre eles na cruz”. Ele se refere ao diabo e seus exércitos de demônios. Mas como são desarmados? Como são derrotados? Eles possuem muitas armas, mas perdem a única que pode nos condenar – a arma do pecado não perdoado. Deus pregou nossas culpas na cruz. Logo, houve punição por elas – então, seus efeitos acabaram! O problema é que muitos percebem tão pouco da beleza de Cristo na salvação que o Evangelho lhes parece apenas uma licença para pecar. Se tudo que você enxerga na cruz de Jesus é um salvo-conduto para continuar pecando, então você não possui a fé que salva. Precisa se prostrar e implorar a Deus para abrir seus olhos para ver a atraente glória de Jesus Cristo.
Culpa corajosa – A fé que salva recebe Jesus como Salvador e Senhor e faz dele o maior tesouro da vida. Essa fé lutará contra qualquer coisa que se coloque entre o indivíduo salvo e Cristo. Sua marca característica não é a perfeição, nem a ausência de pecados. Quem enxerga na cruz uma licença para continuar pecando não possui a fé que salva. A marca daé a luta contra o pecado. A justificação se relaciona estreitamente com a obra de Deus pregando nossos pecados na cruz. Justificação é o ato pelo qual o Senhor nos declara não apenas perdoados por causa da obra de Cristo, mas também justos mediante ela. Cristo levou nosso castigo e realiza nossa retidão. Quando o recebemos como Salvador e Senhor, todo o castigo que ele sofreu, e toda sua retidão, são computados como nossos. E essa justificação vence o pecado.

Possuímos uma arma poderosa para combater o diabo quando sabemos que o castigo por nossas transgressões foi integralmente cumprido em Cristo. Devemos nos apegar com força a essa verdade, usando-a quando o inimigo nos acusar pelas nossas faltas. O texto de Miquéias 7.8-9 apresenta o que devemos lhe dizer quando ele zombar de nossa aparente derrota: “Não te alegres a meu respeito; ainda que eu tenha caído, levantar-me-ei (...) Sofrerei a ira do Senhor, porque pequei contra ele, até que julgue a minha causa e execute o meu direito”. É uma espécie de “culpa corajosa” – o crente admite que errou e que Deus está tratando seriamente com ele. Mas, mesmo em disciplina, não se afasta da bendita verdade de que tem o Senhor ao seu lado!

Há vitória na manhã seguinte ao fracasso! Precisamos aprender a responder ao diabo ou a qualquer um que nos diga que o Senhor não poderá nos usar porque pecamos. “Ainda que eu tenha caído, levantar-me-ei”, frisou o profeta. “Embora eu esteja morando nas trevas, o Senhor será a minha luz.” Sim, podemos estar nas trevas da iniqüidade; podemos sentir culpa, porque somos, realmente, culpados pelo nosso pecado. Mas isso não é toda a verdade sobre o nosso Deus. O mesmo Deus que faz nossa escuridão é a luz que nos apóia em meio às trevas. O Senhor não nos abandonará; antes, defenderá a nossa causa.  

Quando aprendermos a lidar com a culpa oriunda de nossos erros com esse tipo de ousadia em quebrantamento, fundamentados na justificação pela fé e na expiação substitutiva que Cristo promoveu por nós, seremos não apenas mais resistentes ao diabo como cometeremos menos falhas contra o Senhor. E, acima de tudo, Satanás não será capaz de destruir nosso sonho de viver uma vida em obediência radical a Jesus e de serviço à sua obra.


John Piper é escritor e pastor da Bethlehem Baptist Church, em Minneapolis (EUA).

Publicado originalmente em Cristianismo Hoje