quarta-feira, 27 de março de 2013

Ressuscitou!





E, se não há ressurreição dos mortos, então Cristo não ressuscitou. E, se Cristo não ressuscitou, é vã a nossa pregação.” (1Co 15.13,14).

Esta é a maior, melhor, mais necessária e mais maravilhosa notícia que já foi dada na história da humanidade: “Ele não está aqui: RESSUSCITOU!”(Lc  24.6). Este evento é o grande divisor de águas da história, pois, agora a existência humana sai do absurdo de uma vida sem sentido, é redimida dos embaraços da morte e da desesperança radical. Com a ressurreição de Cristo a vida nos é dada, a nós, que estávamos mortos em nossas transgressões, em nossos pecados. É justamente a ressurreição o firme fundamento de tudo quanto cremos, pois se ‘Cristo não ressuscitou, vã é a nossa fé’. 

Os eventos pascais são o puro Evangelho, é a comunicação daquilo que Deus realizou por amor a si mesmo, por fidelidade à sua justiça, pelo zelo de sua santidade, para a manifestação de sua glória e graça, cumprindo a sua promessa de salvar pecadores pela paixão, morte e ressurreição de Jesus. Este era, desde toda a eternidade, o plano estabelecido pelo Pai, de eleger em Cristo os quer seriam salvos. Esta era a missão dócil, amorável e obedientemente aceita e executada pelo Filho: A ignominiosa morte de Cruz e a gloriosa ressurreição como triunfo sobre a morte, o pecado e o mal. Esta é a notícia mais desesperadoramente necessária a ser gritada a plenos pulmões para o mundo

A missão da Igreja é tão complexa que dela se fala apropriadamente no plural: missões. Deve educar na fé, exercer o ministério do consolo e do conforto. Deve fazer-se presente nas demandas dos pobres, lutar pela justiça e equidade, profeticamente erguer sua voz em defesa da vida, dos valores, da família, da paz. Deve engajar-se nas lutas sociais, iluminar e influencia eticamente a sociedade e participar efetiva e criativamente com ministérios de socorro, proteção social, promoção humana e assistência em geral. A caridade faz parte das boas obras pelas quais o cristão e a Igreja devem andar (Ef 2.10; Tt 2.14). Entretanto nenhuma tarefa é mais essencial, urgente e candente para a Igreja do que o anúncio do puro Evangelho, salvação e poder de Deus para todo aquele que crê (Rm 1.16). Evangelizar é declarar o que Deus dispôs a fazer na eternidade pretérita e de fato o fez quando da entrada de seu Filho na história dos homens na encarnação. Jesus nasceu na carne exatamente para isto: “dar a sua vida em resgate de muitos” (Mc 10.45). Por tanto, o Evangelho é essencialmente uma declaração dos atos redentivos: Deus salva por meio de Cristo, com base em sua retidão e nos méritos infinitos de sua obediência que satisfez a vindicação da justiça do Pai ofendido pelo pecado de Adão. Evangelizar é apresentar todo este plano como nascido no coração e na mente de um Deus que é amor e que ama não só obra de suas mãos, mas que ama eternamente o Filho e nele aqueles que ele escolheu: a Igreja. 

O anúncio da ressurreição nos remete ao problema fundamental do homem, o pecado, cujo salário é a morte. Logo, o Evangelho não é verdadeiramente pregado quando por meio dele o que se oferece é a instantânea solução para os problemas e entraves desta vida. Não há evangelização quando a intenção é “melhorar a qualidade de vida espiritual ou psicológica das pessoas”. Não há evangelização quando tudo o que se quer é manter uma amigável relação com Jesus. O Evangelho é a única revelação da verdade do homem ao próprio homem: Um falido, destinado à uma eternidade de radical infelicidade, incapaz de ser feliz com as próprias escolhas, e o pior de tudo, verdadeiramente culpado diante de Deus. As melhores e mais fundamentais bênçãos quando o Evangelho é pregado e recebido são: o dom da fé, o novo nascimento, o perdão dos pecados, a aceitação na presença de Deus, a condição de filho adotivo e a graça da vida eterna no céu. De fato, o Evangelho é “ridiculamente simples” para os homens sábios aos seus próprios olhos ou inteligentes segundo os padrões do mundo: “A sabedoria deste mundo é loucura para Deus...Ele apanha os sábios na própria astúcia deles” (1Co 3. 19,20), “Visto que o mundo não o conheceu por sua própria sabedoria, aprouve a Deus salvar os que creem pela loucura da pregação” (1Co 1.21). Pregação do que? Do puro Evangelho. Do simples Evangelho. Desta alvissareira notícia de Páscoa: Ele Ressuscitou para que você tenha vida. Até que você o possua a morte ainda “viverá” em você. Ressuscite com Cristo nesta páscoa: Aceite o Evangelho. Feliz Páscoa!

Reverendo Luiz Fernando
Pastor da Igreja Presbiteriana Central de Itapira

segunda-feira, 25 de março de 2013

ONG PIEDOSA OU IGREJA DE JESUS?




Essa semana, o mundo voltou os olhos para Roma.
O alerta vem do Papa eleito, Francisco I, na sua primeira homilia: "Sem Jesus Cristo a igreja se transforma numa ONG piedosa". Quanta verdade e sabedoria nestas palavras! Certa vez, em resposta a uma pergunta de Jesus aos seus discípulos, "vocês também querem ir embora?", Pedro argumentou: "Para onde iremos nós, só Tu tens as palavras de vida eterna!" Para onde tenho ido? Para onde a Igreja Evangélica tem ido? Nos últimos 30 anos tenho visto, a partir da minha própria vida, a igreja escolher caminhos distantes do Caminho. Temos escolhido o caminho da organização e não do "Organismo"; do planejamento estratégico ao invés da dependência e da oração; do luxo ao invés da simplicidade; do receber mais do que distribuir; do aplicar no mercado financeiro ao investir na vida de pessoas. Conheço muitas ONGs piedosas, cheias de boas intenções e que prestam excelentes serviços à sociedade. A Igreja de Jesus é muito maior que isso. A Igreja de Jesus tem que ter as marcas de Jesus. E quais são estas marcas? Estilo de vida simples, senso de missão encarnado e compromisso absoluto com a vontade do Pai.
As palavras de Francisco I e as sua primeiras atitudes, marcadas sobretudo pela simplicidade, foram abençoadoras e serviram de exemplo para a minha própria vida. Quero uma Igreja que o fazer o bem seja apenas mais uma consequência da vivência do Emanoel na minha vida e na vida daqueles que congregam comigo. Quero uma Igreja que se pareça com a Igreja Original. Foi pensando nisso que busquei a leitura e reflexão de Atos 2: 42 a 47.

" E perseveravam na doutrina dos apóstolos, e na comunhão, e no partir do pão, e nas orações.
E em toda a alma havia temor, e muitas maravilhas e sinais se faziam pelos apóstolos.
E todos os que criam estavam juntos, e tinham tudo em comum.
E vendiam suas propriedades e bens, e repartiam com todos, segundo cada um havia de mister.
E, perseverando unânimes todos os dias no templo, e partindo o pão em casa, comiam juntos com alegria e singeleza de coração,
Louvando a Deus, e caindo na graça de todo o povo. E todos os dias acrescentava o Senhor à igreja aqueles que se haviam de salvar". 

A Igreja Original era, antes de mais nada, uma Igreja equilibrada, que possuía as marcas de Jesus, e que mantinha o seu equilíbrio e a sua espiritualidade fundamentada em SEIS PILARES:

*Primeiro Pilar: Equilíbrio entre SABER x REALIZAR
Uma espiritualidade que persevera na sã doutrina e manifesta grande poder. "... e perseveravam na doutrina dos apóstolos ... e muitos sinais e prodígios eram feitos...". Vale a pena lembrar que há uma guerra no meio da igreja. Precisamos de oração e ação.

*Segundo Pilar: Equilíbrio entre TEMPLO x CASAS
Uma espiritualidade que valoriza o culto comunitário e desenvolve grande comunhão de casa em casa. "... perseveravam unânimes no templo e partiam o pão de casa em casa ..."
As reuniões, aqui, na igreja, são importantes, mas precisamos nos reunir nas casas, fazer visitas... estarmos juntos!

*Terceiro Pilar: Equilíbrio entre ORAÇÃO x CRESCIMENTO
Uma espiritualidade que revela total dependência e que, por isso mesmo, alcança grandes resultados. "... e perseveravam ... nas orações ... enquanto isso, acrescentava-lhes o Senhor, dia a dia, os que iam sendo salvos ...  Interessante: há vários modelos de crescimentos de igrejas. Outro dia, ouvi falar de um cara que era consultor para crescimento de igrejas!...Eu tenho dificuldade comisso, pois olho para a Bíblia e vejo que o Senhor vai "acrescentando os que iam sendo salvos"...Claro que temos a missão de evangelizar, mas não podemos trocar isso por um "planejamento estratégico", como se fosse um negócio.

*Quarto Pilar: Equilíbrio entre SINGELEZA x SATISFAÇÃO
Uma espiritualidade que descobre o valor das coisas simples e experimenta grande alegria. "... e tomavam as suas refeições com alegria e singeleza de coração ... Jesus adotou um estilo de vida simples. Uma das marcas da igreja deve ser a simplicidade.

*Quinto Pilar: Equilíbrio  entre DAR x RECEBER
Uma espiritualidade que abre mão do ter, que valoriza o ser e vive feliz com o necessário. " ... todos os que creram estavam juntos e tinham tudo em comum. Vendiam as suas propriedades e bens, distribuindo o produto entre todos, à medida que alguém tinha necessidade ... "

*Sexto Pilar: Equilíbrio entre COMUNHÃO x  MISSÃO
Uma espiritualidade que ama os de dentro e tem grande simpatia dos de fora. "... e perseveravam ... na comunhão ... e contavam com a simpatia de todo o povo " ... 

Esses Pilares apontam para Cristo, seu exemplo de vida consagrada ao Pai. ONGs piedosas fazem bem a muita gente. A Igreja de Cristo é a continuação do Emanoel Encarnado. É Deus vivendo em nós para louvor da sua glória. A Igreja de Cristo é o próprio BEM (diferente da ONG que faz o bem) e por isso mesmo, aonde chega, leva paz, amor, consolo, esperança, fé, ânimo e força.  

Quando falo ou critico a Igreja Evangélica, estou falando de mim mesmo, de minhas mazelas, pecados e falta de compromisso com  Jesus e com a missão que Ele deu a Igreja. Uma certeza tenho: a Igreja do Senhor é muitíssimo maior do que qualquer denominação. O "Vento do Espírito" continua soprando ...e Deus falou através do Papa ... Quem tem ouvidos, ouça o que Deus está falando... Uma igreja de JESUS tem que ter as marcas de JESUS: ONG piedosa ou Igreja de Jesus? Pense nisso!
Jesus abençoe vocês! ".

Por Pr. Marcelo Guaberto,   CPC,  17/03/2013.
 

sábado, 16 de março de 2013

segunda-feira, 11 de março de 2013

A igreja é fascinante

A igreja é fascinante. É o tema sobre o qual mais leio e sobre o qual mais ajunto livros. Refletir sobre ela sempre me traz novos aspectos e me faz ver sua grandeza e beleza, e como sou abençoado em fazer parte dela. Que honra ser igreja de Jesus! Escrevi um livro com um título À igreja, com carinho, que foi uma declaração de amor ao corpo de Cristo.

Amo igreja! Para muitas pessoas, igreja é apenas um lugar aonde ir. Ou uma instituição ou uma organização. Alguém que dizia seguir a Jesus referiu-se assim a ela: “Não tenho mais nenhum interesse nesta instituição”. Como é uma pessoa de mal com a vida, não liguei. Recebi e-mail de um ignoto, falando mal da igreja e se despedindo, pois se afastava. Sua carta, além de inconsistente, cheirava a ódio. Respondi a quem me encaminhou o e-mail: “Já vai tarde. Não fará falta alguma”. Nunca entendeu o que seja igreja. Nunca refletiu seriamente sobre ela. Mas também recebi bom e-mail de uma ex-ovelha de Brasília, advogada, afeiçoada à nossa família e nós à dela. Ela se lembrava de uma frase que eu disse num sermão:“Se você procura uma igreja perfeita, quando a encontrar, não entre nela para não estragá-la”.Algumas pessoas cobram da igreja o que elas mesmas não são. É um paradoxo (ou hipocrisia?). Igreja não é instituição nem organização nem lugar.

Segundo a Bíblia, igreja é gente. Gente da igreja que fala mal dela fala mal de si. E é arrogante, portando-se como se fosse superior aos outros. Não sou um oráculo de Yahweh, mas em 41 anos de ministério notei que os crentes que mais falam mal da igreja são exatamente os mais problemáticos. Nunca vi um crente piedoso, engajado, equilibrado, combater a igreja. Só os insubmissos, amargos e desagregadores. Inclusive, quando saem, a igreja melhora. A igreja local não é mera expressão da Igreja Invisível ou da Igreja de Todos os Tempos. Tem origem divina. O corpo de Cristo não é apenas a Igreja Mística e Invisível. A local também é: “Pois bem, vocês são o corpo de Cristo, e cada um é parte deste corpo” (I Cor. 12.27).

Paulo diz a uma igreja local que ela é o corpo de Cristo, e não uma parte dele. Disse o teólogo Ladd: “A igreja local não é parte da igreja, mas é a igreja em sua expressão local”. Os críticos da igreja são críticos do corpo de Cristo. Há pessoas que têm uma visão de cristianismo muito pessoal, para a qual querem adesão. Não a recebendo, se revoltam e acham que todos estão errados. São autoritários e não sabem ser voto vencido. Não aceitam ser conduzidos. Cobram de outros o que elas não têm nem dão: perfeição moral, amor e absoluta integridade espiritual. A postura dos críticos da igreja é estranha: a igreja são os outros. Eles se autoexcluem ao combatê-la. Para isto, ela já tem Satanás. Ela precisa de amantes, não de apedrejadores. A igreja é um grupo de pessoas que provou a graça de Deus em Jesus, creu nele, comprometeu-se com ele e o segue. Não é perfeita. Deus não terminou sua obra em nós. Temos falhas e somos imperfeitos. E precisamos uns dos outros. Para nos apoiarmos, para orar uns pelos outros. Não existe cristianismo privado. O cristianismo exige compartilhamento e mutualidade: “Consideremo-nos uns aos outros, para nos estimularmos ao amor e às boas obras, não abandonando a nossa congregação, como é costume de alguns, antes admoestando-nos uns aos outros; e tanto mais, quanto vedes que se vai aproximando aquele dia” (Heb. 10.25-26).

A igreja é um grupo de pessoas com suas vidas interligadas em Cristo, procurando viver em solidariedade e apoio espiritual. Quem quer mudar a igreja por ela não corresponder às suas expectativas (presumindo que esta seja a única pessoa certa e as demais estejam erradas), deve lembrar uma frase de Martin Luther King Jr.: “Se você deseja mudar alguém, deve amá-lo”. Ame a igreja. Cristo nos amou e nos mudou. Faça assim! Ame a sua igreja, ponha o ombro em baixo da carga e lute com ela. Sirva a ela, e não o Inimigo!
Pr. Isaltino Gomes Coelho Fº
Publicado originalmente no Jornal Batista de 03/03/2013