quarta-feira, 28 de março de 2012

AH... COMO GOSTARIA...



Ah... Como gostaria de ter a fé de Abraão que obedeceu a voz de Deus saindo de sua terra, sem questionamentos ou explicações;

Ah... Como gostaria de ter a coragem de Noé em construir uma arca enorme, mesmo quando a terra não havia experimentado um gota de água caindo dos céus;

Ah... Como gostaria de ter o coração perdoador de José que apesar de ser traído pelos próprios irmãos, amou-os e entendeu que era tudo plano de Deus;

Ah... Como gostaria de ter a ousadia de Moisés que com seu bordão dividiu o mar vermelho em duas partes;

Ah... Como gostaria de ter as qualidades de Josué que foi hábil para substituir o grande líder Moisés;

Ah... Como gostaria de ser como Davi que foi chamado “um homem segundo o coração de Deus”;

Ah... Como gostaria de ter a perseverança de que não desistiu de seguir a Deus apesar de tantos sofrimentos enfrentados;

Ah... Como gostaria de ter a persistência de Neemias que mesmo sendo criticado por muitos não desistiu de seu projeto de reconstruir os muros de Jerusalém;

Ah... Como gostaria de ter a renúncia dos discípulos que deixaram tudo para seguir o Mestre;

Ah... Como gostaria de ter a humildade de Paulo que mesmo sendo um dos maiores apóstolos, se considerava o menor de todos;

Ah... Como gostaria de ter intrepidez daqueles mencionados em Hebreus 11 que foram apedrejados, provados, serrados pelo meio, mortos a fio da espada, afligidos e maltratados, mas foram considerados “homens dos quais o mundo não era digno;

Ah... Que Deus possa me achar entre aqueles que “...venceram por causa do sangue do Cordeiro e por causa da palavra do testemunho que deram e, mesmo em face da morte, não amaram a própria vida”. Que o Eterno tenha misericórdia de mim!!

Escrito por um cristão servindo à Deus no Oriente Médio.
APMT - Agência Presbiteriana de Missões Transculturais

domingo, 25 de março de 2012

No Pinheiral, às 6 da manhã


Convite do pastor!


Galera da UPA.

Oraremos especialmente esta semana, de 26 a 31 (segunda a sábado) de março, bem cedinho, no Pinheiral da UFV.

O tema desta semana é Alvo pastoral 2012 da IPV.

A cada dia ouviremos uma pequena mensagem e oraremos em grupo por motivos da missão da IPV no mundo de hoje.

Conto com a sua preciosa presença.

Jony

sexta-feira, 23 de março de 2012

Vídeo-debate - A Onda



No próximo sábado (24.03.2012) tem vídeo debate na UPA, será na IPV. Porém fique esperto, vamos iniciar a programação mais cedo, será às 18hs para que a gente consiga bater um papo depois de assistir o filme.

Teremos duas salas de vídeo, uma com o filme dublado e outra legendada, assim agradaremos todos os gostos. A moderação ficará por conta da Liz e Stela. E o filme escolhido foi A ONDA. E como não podia faltar, pipoca e refrigerante liberado...

Trailer



Ficha Técnica
A Onda (Welle, Die, 2008)
• Direção: Dennis Gansel
• Roteiro: Todd Strasser (romance), Dennis Gansel (roteiro), Peter Thorwarth (roteiro)
• Gênero: Drama
• Origem: Alemanha
• Duração: 101 minutos
• Tipo: Longa-metragem

Sinopse
Rainer Wegner, professor de ensino médio, deve ensinar seus alunos sobre autocracia. Devido ao desinteresse deles, propõe um experimento que explique na prática os mecanismos do fascismo e do poder. Wegner se denomina o líder daquele grupo, escolhe o lema “força pela disciplina” e dá ao movimento o nome de A Onda. Em pouco tempo, os alunos começam a propagar o poder da unidade e ameaçar os outros. Quando o jogo fica sério, Wegner decide interrompê-lo. Mas é tarde demais, e A Onda já saiu de seu controle. Baseado em uma história real ocorrida na Califórnia em 1967.

quarta-feira, 21 de março de 2012

Submissão



“Humilhai-vos, portanto, sob a poderosa mão de Deus, para que ele, em tempo oportuno, vos exalte.” (1Pe. 5.6).
Desde que Adão e Eva estenderam as mãos para o fruto proibido que o homem tem tido sérios problemas com a liberdade. O que fazer com ela? O que é possível fazer e o que é lícito fazer? Possibilidade e dever vivem se “estranhando” nos mais variados campos, sobretudo nos campos do direito e da ciência, onde o entrave moral e ético parecem mais gritantes. O homem reclama uma autonomia radical, sem limites, a não ser o da própria consciência. Não aceita, não suporta submeter-se a um ser que lhe seja superior, no caso Deus, e nem mesmo a qualquer instituição que guardando e defendendo padrões morais estabelecidos, possa de alguma maneira limitar a sua liberdade. O filósofo Górgias (+- sec 7 A.C) se vivesse hoje testemunharia uma defesa apaixonada de seu aforisma: “O homem é a medida de todas as coisas.” Todavia, já no paraíso, antes de conhecer o pecado, nem mesmo Adão, reto e justo, e Eva, santa e imaculada, possuíam pleníssima liberdade. A proibição de comer do fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal lhe indicava exatamente o seu lugar, a sua condição de criatura e não de deuses. Só Deus é perfeitamente livre e o homem será a mais livre das criaturas não fazendo o que lhe dá na telha, mas participando da liberdade de Deus na submissão a Ele, às suas leis e vontade. Portanto, é exatamente nesse paradoxo da submissão que o homem experimenta o que significa ser livre e feliz. As Escrituras nos revelam que não há esta pretensa neutralidade que leva o homem a ser senhor de seu destino. Ou somos submissos a Deus e as suas instituições, com responsabilidade, com liberdade de escolha e de entrega, ou somos escravos do pecado, dos vícios, dos apetites da carne, das seduções do mundo que podem se manifestar de muitas e variadas formas. A sedução do prazer sexual desregrado, a sedução das riquezas e do consumismo escravagista, a sedução do poder e aqui entram as ideologias políticas cujo fim e o deus é o lucro e o mercado e etc. Há ainda a sedução de nossa natureza decaída, ensimesmada, ególatra e narcisista que deseja ser feliz a todo o custo, sem regras nem limites sob a ditadura do relativismo e do descartável. Nada é absoluto ou para sempre. Vinícius de Moraes expressou bem esta marca de nossa cultura: “Que o amor seja eterno enquanto dure.” A submissão é uma disciplina tão imprescindível para o cristão como a leitura e meditação da Bíblia. Aliás, de que adiantaria a leitura piedosa das Escrituras se não houvesse acatamento de seus ensinamentos? Nisto exatamente consiste a submissão, na pronta obediência e na firme disposição do coração em deixar-se guiar, ensinar e conduzir pela mente e vontade de Deus expressas nas Escrituras. A Palavra submissão significa esta debaixo da Missão, ou seja, significa estar debaixo de um plano, de um projeto estabelecido por Deus para que sejamos felizes como Ele é indizivelmente feliz. A Missão de Deus, ao criar o universo e nele colocar o homem como seu vice-Rei, é para que este homem possa compartilhar desta vida indefectível, deste amor incomensurável, desta paz indestrutível e desta gloriosa vida feliz que só Deus possui. Doutra sorte, buscando a felicidade por nossa própria conta e estabelecendo, segundo a nossa inteligência e vontade, o que desejamos e queremos alcançar para sermos felizes, desprezando a Deus, logo nos deparamos com a caducidade e a fragilidade de tudo quanto existe. O materialismo, a vida medida e vivida na busca de felicidade nos afetos e nos bens não gera completude e satisfação, mas niilismo, aquele estado de espírito que não que saber de nada, não se importa com nada, não gosta e não está realizado com nada, não encontra propósito em nada e só continua vivo porque não há nada que o leve a morrer. A submissão a Deus faz ver sentido, propósito, gozo em todas as coisas boas, lícitas, justas, nobres e verdadeiras. E justamente nelas é que encontramos a felicidade. Continuamos a semana que vem.
Luiz Fernando
Pastor da Igreja Presbiteriana Central de Itapira

sexta-feira, 16 de março de 2012

Planos de Deus e vontade humana


Uma das coisas mais comuns de acontecer na fé cristã é a confusão entre a vontade de Deus e a vontade humana, achar que é Deus quem está falando quando na verdade é a minha vontade pessoal. Em alguns casos, as pessoas enfrentam certa dificuldade em lhe dar com essa tensão e equívoco, por isso segue uma breve reflexão para entendermos o que a Bíblia fala sobre o assunto através da vida do apóstolo Paulo.

Vamos olhar três experiências de Paulo:

1ª experiência de Paulo
Assim, as igrejas eram fortalecidas na fé e, dia a dia, aumentavam em número.
E, percorrendo a região frígio-gálata, tendo sido impedidos pelo Espírito Santo de pregar a palavra na Ásia, defrontando Mísia, tentavam ir para Bitínia, mas o Espírito de Jesus não o permitiu.
E, tendo contornado Mísia, desceram a Trôade.
À noite, sobreveio a Paulo uma visão na qual um varão macedônio estava em pé e lhe rogava, dizendo: Passa à Macedônia e ajuda-nos.
Assim que teve a visão, imediatamente, procuramos partir para aquele destino, concluindo que Deus nos havia chamado para lhes anunciar o evangelho.  Atos 16:5-10
 2ª experiência de Paulo
Porque não ousarei discorrer sobre coisa alguma, senão sobre aquelas que Cristo fez por meu intermédio, para conduzir os gentios à obediência, por palavra e por obras, por força de sinais e prodígios, pelo poder do Espírito Santo; de maneira que, desde Jerusalém e circunvizinhanças até ao Ilírico, tenho divulgado o evangelho de Cristo, esforçando-me, deste modo, por pregar o evangelho, não onde Cristo já fora anunciado, para não edificar sobre fundamento alheio; antes, como está escrito: Hão de vê-lo aqueles que não tiveram notícia dele, e compreendê-lo os que nada tinham ouvido a seu respeito.
Essa foi a razão por que também, muitas vezes, me senti impedido de visitar-vos.
Mas, agora, não tendo já campo de atividade nestas regiões e desejando há muito visitar-vos, penso em fazê-lo quando em viagem para a Espanha, pois espero que, de passagem, estarei convosco e que para lá seja por vós encaminhado, depois de haver primeiro desfrutado um pouco a vossa companhia. Romanos 15:18-24
3ª experiência de Paulo
Ora, nós, irmãos, orfanados, por breve tempo, de vossa presença, não, porém, do coração, com tanto mais empenho diligenciamos, com grande desejo, ir ver-vos pessoalmente.
Por isso, quisemos ir até vós ( pelo menos eu, Paulo, não somente uma vez, mas duas ); contudo, Satanás nos barrou o caminho.
Pois quem é a nossa esperança, ou alegria, ou coroa em que exultamos, na presença de nosso Senhor Jesus em sua vinda? Não sois vós?
Sim, vós sois realmente a nossa glória e a nossa alegria! I Ts 2:17-20 (Paulo, Silvano e Timóteo escreveram a carta)
As três experiências de Paulo citadas acima mostram como muitas vezes as nossas vontades, por mais nobres que sejam, e ainda que sejam para promover o reino de Deus, não serão realizadas.

Talvez isso seja óbvio pra você! Ou talvez seja difícil de entender, mas como pode ser assim, eu estou querendo promover o reino de Deus, servir a Deus... e ainda assim as coisas não ocorrem como eu quero? 

Ou então, você pode se perguntar, eu tinha certeza que era a vontade de Deus, por que deu errado?

Vamos entender o que estava acontecendo com Paulo.
O apóstolo estava dedicando a sua vida pra pregar o evangelho de Jesus e fazer discípulos em lugares que ainda não haviam sido evangelizados. Ele viajava bastante, pregava, discipulava os convertidos e organizava as novas igrejas. Ele nunca fazia isso sozinho, as vezes ele contava com ajuda financeira para realizar essa missão, outras ele tinha que trabalhar construindo tendas para se sustentar. Em alguns lugares ele ficava meses e em outros anos. Em alguns lugares ele era bem aceito e em outros era expulso das cidades. Havia momentos em que Deus operava grandes sinais e maravilhas através de Paulo, haviam outros que Paulo era preso, açoitado e apedrejado.

O apóstolo havia compreendido que sua vida pertencia integralmente a Deus, ou seja, tudo o que ele tinha oportunidade de fazer era para glorificar a Deus, seja através dos momentos bons ou ruins que ele passava. Isso não quer dizer que ele era passivo diante da vida, muito pelo contrário, mas que o apóstolo tinha um bom conhecimento de que Deus era quem sustentava e movia a sua vida, e de forma misteriosa, ainda que não entendesse, até mesmo nas experiências de sofrimento e frustração que o acometiam, ele percebia que Deus não havia perdido o governo, muito menos o interesse por ele, e que de alguma forma, ainda que ele não conseguia entender, tudo estava colaborando para a promoção e avanço do reino de Deus. Em certa ocasião, Paulo diz que “todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito. Rm 8:28” E mais pra frente ele diz que esse propósito é fazer-nos parecido com Jesus.

Outra coisa que Paulo havia compreendido era que os planos de Deus são mais elevados que a sua vontade, ele deveria estar atendo e aberto para conhecer e aceitar esse “plano superior”, ou, mais completo, ainda que isso lhe custasse abrir mão de sua vontade. Veja mais uma fala de Paulo a respeito disso: “E não vos conformeis com este século, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus. Rm 12:2” Isso nos dá uma pista importante, Paulo percebeu que a vontade dele era inconstante e condicionada a uma temporalidade e ocasionalidade que o cegava ou distorcia sua mente/compreensão. Veja outra recomendação de Paulo: “buscai as coisas lá do alto... Pensai nas coisas lá do alto. Cl 3:1-2” O que Paulo está dizendo e que a nossa forma de enxergar o mundo deve ser encharcada pela consciência do reino cósmico de Deus e seus propósitos, pois quem governa e sustenta a vida não é o acaso, mas o próprio Deus. E que não existe forma melhor de viver do que seguir as instruções do próprio Autor da vida.

Mas uma pergunta continua no ar. De onde Paulo tirou essas idéias?
Primeiramente precisamos lembrar que ele era judeu, em seguida fariseu e perseguidor de Jesus, e que por fim ele se tronou cristão. Como essas informações podem nos ajudar?

Como judeu Paulo pertencia ao povo da Aliança com Deus, a única nação na face da terra monoteísta até o início do primeiro século. Ele conhecia os livros da lei, a história de como Deus se revelara e participara da história de Israel e as advertências dos profetas. Vejamos algumas dessas passagens:
O coração do homem pode fazer planos, mas a resposta certa dos lábios vem do SENHOR. Todos os caminhos do homem são puros aos seus olhos, mas o SENHOR pesa o espírito... O coração do homem traça o seu caminho, mas o SENHOR lhe dirige os passos. Pv 16:1-2,9 (um livro de sabedoria, ano 900 a.C.)
Porque os meus pensamentos não são os vossos pensamentos, nem os vossos caminhos, os meus caminhos, diz o SENHOR, porque, assim como os céus são mais altos do que a terra, assim são os meus caminhos mais altos do que os vossos caminhos, e os meus pensamentos, mais altos do que os vossos pensamentos. Is 55:8-9 (um livro profético de Isaías, ano 700 a.C.)
Veja como Paulo aplicou essa verdade: Ó profundidade da riqueza, tanto da sabedoria como do conhecimento de Deus! Quão insondáveis são os seus juízos, e quão inescrutáveis, os seus caminhos!
Quem, pois, conheceu a mente do Senhor? Ou quem foi o seu conselheiro?
Ou quem primeiro deu a ele para que lhe venha a ser restituído?
Porque dele, e por meio dele, e para ele são todas as coisas. A ele, pois, a glória eternamente. Amém! Rm 11:33-36
Como fariseu, Paulo se aplicara ao estudo das Escrituras e a observação da mesma. O zelo pela Palavra de Deus se apoderara do apóstolo. Entretanto, o grupo religioso ao qual Paulo pertencia começou a se perder, o conhecimento das Escrituras começou a se tornar um subterfúgio para subjugar o seu próprio povo. Jesus confrontou constantemente os interesses reais deste grupo, pois embora houvesse uma fachada de devotos zelosos, muitos deles eram hipócritas e opressores. A caminhada de Paulo não foi muito diferente, ele tornou-se perseguidor da igreja de Jesus. Ou seja, a vontade de Paulo era completamente contraria aos planos de Deus. Talvez esse tenha sido o maior exemplo e a lição que Paulo tomou sobre reconhecer os planos de Deus a despeito de suas vontades.
Ao meio-dia, ó rei, indo eu caminho fora, vi uma luz no céu, mais resplandecente que o sol, que brilhou ao redor de mim e dos que iam comigo. E, caindo todos nós por terra, ouvi uma voz que me falava em língua hebraica: Saulo, Saulo, por que me persegues? Dura coisa é recalcitrares contra os aguilhões. Então, eu perguntei: Quem és tu, Senhor? Ao que o Senhor respondeu: Eu sou Jesus, a quem tu persegues. Mas levanta-te e firma-te sobre teus pés, porque por isto te apareci, para te constituir ministro e testemunha, tanto das coisas em que me viste como daquelas pelas quais te aparecerei ainda, livrando-te do povo e dos gentios, para os quais eu te envio, para lhes abrires os olhos e os converteres das trevas para a luz e da potestade de Satanás para Deus, a fim de que recebam eles remissão de pecados e herança entre os que são santificados pela fé em mim. At 26:13-18
"Dura coisa é recalcitrares contra os aguilhões." Isso foi o que Jesus falou para Paulo. Dura coisa é tentar se debater e se opor à vontade Deus, aos planos do Senhor. Parece que é isso que precisamos ouvir na nossa sociedade, numa geração hedonista e egoísta, precisamos ouvir a voz de Jesus que nos diz - DURA COISA É LEVANTAR-SE CONTRA A VONTADE DE DEUS.

Por Pedro Paulo Valente
Publicado originalmente no Blog do Pedro

terça-feira, 13 de março de 2012

UPA NA FESTA DO CALOURO

No próximo sábado tem festa do calouro promovida pela UMP. A UPA que não é boba, já confirmou presença! Vários adolescentes estarão ajudando, e lembramos que a festa também é para os embriões do Coluni. D2012 


segunda-feira, 5 de março de 2012

"Pulando muros": o professor e o adolescente



Minha trajetória como educador é bem curta, mas minha vivência com o ambiente escolar é bem grande se comparado aos padrões brasileiros. Desde 2006 tenho me dedicado ao ofício de educador. Já atuei em escolas particulares, mas a maior parte da minha carreira me dediquei às instituições públicas de ensino. Estar em uma escola pública já tem sido uma constante em minha vida. Cursei toda educação básica em escolas estaduais aqui de São Paulo e, apesar do filtro social do vestibular, consegui me graduar em História também em uma instituição pública do estado de São Paulo. Hoje sou professor de História em uma escola da rede estadual na zona norte de São Paulo.

Ao longo desses anos algo que sempre me chamou a atenção foram os muros que se levantam dentro e à partir da escola. Considero que o documentário "Pro dia nascer feliz" (2007), de João Jardim, e o filme "Entre os muros da escola" (2008), de Laurent Cantet, ilustram muito bem os diferentes muros que se erguem na escola, que vão desde o muro físico que separa a escola da comunidade, aos muros sociais que separam estudantes do conhecimento.

Desde quando eu era estudante até hoje o muro que separa o professor dos alunos sempre me incomodou muito. Confesso que me irritava profundamente com uma professora da universidade em que estudei que sempre que podia afirmava, erroneamente, que a palavra aluno significa “sem luz”. Geralmente ela dizia isso quando o movimento estudantil contrariava suas opiniões em reuniões do Conselho Universitário.
Infelizmente essa forma de tratar os alunos como pessoas sem nada a contribuir, como meros receptores de conhecimentos, é muito comum nas escolas. E em relação aos adolescentes esse comportamento não se restringe à escola. Geralmente os adolescentes são vistos como seres sem luz. Suas ações, escolhas, opiniões e gostos são ridicularizados.

Recentemente estive na Conferência Municipal da Juventude da cidade de São Paulo e no grupo de trabalho que participei, juventude e educação, a maioria dos presentes eram adolescentes preocupados com os rumos da educação brasileira. Todos eles cheios de disposição e propostas para mudanças para a educação e para o país. Foi triste ouvir um rapaz de quinze anos reclamar que um de seus professores referiu-se aos alunos de sua escola, na periferia de São Paulo, como “lixos”. O fato deste adolescente estar presente num debate sobre educação em contraposição à ausência de seu “professor” revela muitas coisa, entre elas a importância de pararmos para ouvir a juventude, em específico os adolescentes.

Uma experiência me marcou muito esse ano. No primeiro semestre um de meus alunos veio me procurar para uma conversa durante a aula. Depois de iniciar as atividades com os demais alunos sentei pra conversar com ele. Ele me contou sobre a aula do dia anterior em que um professor havia provocado uma discussão na sala sobre o cristianismo. O professor sustentava a tese de que Jesus Cristo não era divino, apenas um homem comum, casado e pai de filhos; já o meu aluno e alguns colegas defendiam o caráter divino de Cristo. Após contar o feito, ele me pediu indicação de bibliografia para que pudesse estudar mais o assunto. Na semana seguinte começamos a estudar a vida de Jesus Cristo através das escrituras, toda sexta-feira durante o intervalo de aula.

Fico feliz por essa oportunidade que Deus tem me dado de estar mais perto deles. A partir dessa experiência tenho conseguido aprender com a coragem, provar da sede de justiça e de me contagiar com a alegria desses adolescentes.

Certa vez ouvi que o Evangelho nos aproxima das pessoas. Essa afirmação me parece muito verdadeira, afinal, o esforço de encarnar o Evangelho implica em compaixão, sentir a dor do outro, amar ao próximo como a si mesmo. Esse execício contínuo ajuda a derrubar o muro que nos separa e nos faz ter uma compreensão melhor de nosso semelhante. Que Deus nos ajude a quebrar as barreiras que nos separam e nos impedem de aprender mais dEle através dos adolescentes.

Isaías Carvalho
Professor de História
Diretor Secretário da ABUB

Retirado do Blog da ABUB