quinta-feira, 31 de maio de 2012

Devocional do acamps UPA 2012 #3


Terça – 22/05/2012 – Esperança e perseverança
 
Ponte de Pedra
Para ler e pensar
Até chegar o tempo em que todas as coisas serão renovadas (restauradas). (At 3:21, discurso de Pedro)
Nós, porém, segundo a sua promessa, esperamos novos céus e nova terra, nos quais habita justiça. (II Pe 3:12)
Então vi um novo céu e uma nova terra. (Ap 21:1, visão de João)

O cristianismo nos fala sobre esperança. É isso mesmo, na fé cristã não há espaço para o conformismo com o mal, com a injustiça, como tudo o que está estragado e não funciona mais direito. A expectativa que Jesus trouxe para os seus seguidores é que algo novo e superior nos espera, um rompimento total com a realidade do pecado e o seu sofrimento.

Porém, a novidade que nos aguarda envolve toda a criação e não apenas a humanidade. Essa novidade é chamada pelo apóstolo Pedro de restauração ou renovação de tudo àquilo que outrora fora criado por Deus e era muito bom. Já o apóstolo João nos fala sobre uma nova terra e um novo céu, sobre uma cidade que desce do céu, o que logo nos traz à mente a oração do Pai Nosso – venha o teu reino; faça-se a tua vontade, assim na terra como no céu.

Aquilo que é impossível ao homem, restaurar todas as coisas que foram manchadas pelo pecado e voltar o estado da natureza a era anterior à queda do homem, Deus promete fazer. E sua obra já está em curso! E nós não podemos ficar de fora, somos convocados a nos arrepender e voltarmos a Deus, e começar hoje a viver segundo a sua vontade e participar dessa obra maravilhosa, cheios de esperança e perseverantes na promoção do bem.

Ouvir e orar
O que a palavra de Deus falou ao seu coração?

Perguntas para pensar e depois discutir em grupo
Pela leitura dos textos recomendados você consegue perceber que a sua salvação envolve algo grandioso? Que salvação é essa que os apóstolos estão apontando para nós?

Por que você acha que a gente não consegue mais consertar certos estragos já realizados na natureza? Isso significa que nós não devemos nos importar?

Quais as semelhanças e diferenças entre a ecologia cristã e aquela que nega o cristianismo?

Pense em como a esperança cristã deve lhe motivar para cuidar da criação e compartilhe suas ideias.

Oração: olhe ao seu redor e louve a Deus pela beleza da Criação. Uma oração comum dos primeiros cristãos era rogar Maranata! Que significa: Vem Senhor Jesus! Será que você pode fazer a mesma oração e se encher dessa maravilhosa expectativa? Vamos sonhar mais com os novos céus e a nova terra, enchendo assim os nossos corações de esperança.

Devocional do acamps UPA 2012 #2


Segunda – 21/05/2012 – Orando e agindo
 Cachoeirinha

Para ler e pensar
Portanto, vós orareis assim: Pai nosso, que estás nos céus... venha o teu reino; faça-se a tua vontade, assim na terra como no céu... (Mt 6:9-10)
A ardente expectativa da criação aguarda a revelação dos filhos de Deus. (Rm 8:19)

Não é interessante que Jesus nos ensina a orar a Deus buscando o reino Dele, que a vontade de Deus se faça na terra? A oração não é para que Deus seja lembrando entre nós, nem para que ele recupere uma autoridade supostamente perdida, pelo contrário, a oração é para que todos aqueles que se rebelaram contra o senhorio de nosso Deus deponham as suas armas, rendam-se diante de Deus e se submetam a Ele. E o ensino de Jesus é claro, busquem a vontade de Deus, busquem do próprio Deus conhecer a Sua vontade. E qual seria a vontade de Deus senão a redenção e restauração de toda a sua criação?

O ensino de Jesus encontra eco no texto de Romanos mencionado, uma vez que o sofrimento da criação se deve ao pecado humano, nada mais natural que ela viva na expectativa na redenção do próprio ser humano, para que também participe da sua glória. É interessante como o destino do homem criado está ligado com o destino da criação, porém uma conclusão óbvia da missão do homem de governar a terra à imagem de Deus, o representante legal de Deus. Mas por conta do pecado, a capacidade do homem de exercer esse governo está completamente comprometida e destinada ao fracasso. Por isso Jesus nos ensina a orar para que a vontade de Deus se faça na terra, por isso a criação geme e espera que os filhos de Deus se manifestem.

Ouvir e orar
O que a palavra de Deus falou ao seu coração?

Perguntas para pensar e depois discutir em grupo
O que você entende pela expressão do Pai Nosso – “faça-se a tua vontade assim na terra como no céu”?

Você sente segurança em orar a Deus para que a vontade dele seja feita e não a sua?

A imagem que Paulo utiliza para descrever a situação da criação é de uma grávida que estás prestes a dar a luz. Quem é esse filho que ela aguarda? Comente a relação do sofrimento com a expectativa e a alegria da criança por nascer.

Embora o texto de Paulo e a oração de Jesus falem do futuro, qual responsabilidade cabe a nós agora?

Oração: olhe ao seu redor e louve a Deus pela beleza da Criação. Peça a Deus que a vontade dEle seja feita na terra assim como ocorre nos céus, ore pela manifestação do Seu reino entre nós. Comprometa-se com Jesus em promover os valores do reino de Deus aqui na terra, em cumprir a missão que lhe foi dada. 

Devocional do acamps UPA 2012 #1

Domingo – 20/05/2012 – Organizando as ideias
Janela do Céu - Ibitipoca
Texto base: Gênesis 1:26-31, 2:16-17
Para ler e pensar
Viu Deus tudo quanto fizera, e eis que era muito bom. (Gn 1:31)
E a Adão disse (Deus): Visto que atendeste a voz de tua mulher e comeste da árvore que eu te ordenara não comesses, maldita é a terra por tua causa; em fadigas obterás dela o sustento durante os dias de tua vida. (Gn 3:17)
A Bíblia é muito preocupada em explicar a origem e o fim de todas as coisas. É assim que ela começa e termina. De Gênesis a Apocalipse vemos Deus agindo, ora criando todas as coisas, ora restaurando todas as coisas. E a preocupação de Deus ao nos revelar isso é mostrar que ao optar pela Criação, Deus estava assumindo um compromisso com tudo o que tinha chamado à existência. Outra observação é que Ele não se abstém de tudo o que criou, Ele continua presente mantendo todas as condições para que a vida aconteça, dirigindo a história para que seus propósitos sejam realizados, relacionando-se com sua criação e colocando em curso seu projeto de restauração.

Tudo o que Deus criou é bom! Essa é uma verdade bíblica que não podemos nos esquecer. Em contrapartida, o homem fracassou na sua missão de governar a criação como um bom representante de Deus, e isso se deve ao pecado. Toda a criação sofreu e continua sofrendo com a desobediência do homem, o seu mal afeta tudo ao redor.

Essa é uma visão de mundo cristã, que mostra o porquê e o problema do mal no mundo. Ela nos fala sobre a criação, a origem e a responsabilidade do homem.

Ouvir e orar
O que a palavra de Deus falou ao seu coração?

Perguntas para pensar e depois discutir em grupo
A Bíblia diz que tudo o que Deus criou é bom. O que isso significa? Você consegue perceber essa verdade?

Ao criar o homem Deus lhe deu uma missão em relação a criação, missão essa que pertence a todos sem exceção alguma. Você sabe qual é?

Apesar de Deus ter criado tudo muito bom, vemos o mal no mundo. Você sabe explicar o porquê disso?

Nós observamos reflexos do mal na criação toda. Você consegue pensar de que maneira a natureza sofre?


Oração: olhe ao seu redor e louve a Deus pela beleza da Criação. Não esqueça também de confessar suas faltas com este maravilhoso Criador e todas as vezes que você não cumpre com a responsabilidade de cuidar daquilo que o Senhor Deus colocou em suas mãos. Peça perdão e ajuda para cumprir melhor sua missão. 

PROTOCOLO DE IBITIPOCA


Reunião da UPA Viçosa na casa do Delly e Luci, dia 25 de Maio de 2012.

Nós, adolescentes da Igreja Presbiteriana de Viçosa, estivemos no Parque Estadual do Ibitipoca entre os dias 19 e 22 de maio de 2012 para meditar e refletir sobre a ligação de Jesus com a Terra. A partir disso reconhecemos:

Deus como Criador, Senhor e Sustentador de todas as coisas; tudo o que vem dEle é bom e foi feito para o louvor da Sua Glória. Nós humanos, somos a imagem e semelhança de Deus e por isso, diferentes do restante da Criação. Temos então a responsabilidade de governar a Terra como representantes de Deus (Gn 1e 2). O homem não é o centro dessa Criação, e sim Jesus, pois tudo foi feito por meio dele e para ele (Rm 11:36; Cl 1:16).

Infelizmente o homem não cumpriu com essa responsabilidade como governante à semelhança de Deus na Terra, e então o Pecado comprometeu a sua capacidade de exercer tal missão (Gn 3, Rm 1 e 3). Como resultado direto disso, vemos toda a natureza sofrendo e muitas vezes sendo impedida de manifestar a glória de Deus. Diante desse quadro o homem abusou do direito de governo resultando em males e danos na natureza, alguns já irremediáveis.

A reconciliação das relações do homem com ele mesmo, com Deus e com a natureza foi possível por meio da obra de Jesus Cristo, o Deus encarnado (Rm 5:11 e II Co 5:18-19). Assim, nossa responsabilidade de dar valor e proteger a Criação em todos os seus mínimos detalhes é ratificada. Diante do explicitado acima nos comprometemos a:
  • Viver com simplicidade, consumindo com responsabilidade;
  • Evitar o desperdício de alimentos, de energia e de água;
  • Reduzir o lixo, reaproveitá-lo, separá-lo e reciclá-lo;
  • Disseminar a conscientização ecológica cristã através do nosso testemunho de vida;
  • Evitar ao máximo andar de carro vazio;
  • Inteirar-se da ação das autoridades e dedicar nosso voto a pessoas que incluam no seu programa de governo o compromisso com o cuidado da criação e o desenvolvimento sustentável;
  • Ampliar o nosso contato com a natureza de modo que não percamos o nosso relacionamento com ela e a consciência do seu valor;
  • Manter-nos informados e participar de eventos importantes contra a destruição da natureza;
  • Exercer a nossa profissão em concordância com a responsabilidade ecológica cristã.


Estamos certos de que essas ações não são exaustivas, mas apenas o início de nosso engajamento com a promoção do Reino de Deus e seus valores.

Temos total certeza de que a Grande Consumação, no Retorno do Rei Jesus, é a Esperança de toda Criação, pois toda ela será restaurada com a revelação dos Filhos de Deus (Rm 8:19, II Pe 3:12 e At 3:21).

Comprometem-se com o protocolo de Ibitipoca os seguintes adolescentes:

ANDRÉ BARBUTTI CARVALHOZA BATTESTIN
BEATRIZ RIBEIRO DE SOUZA LIMA
CHARLLES DUARTE BATISTA LACERDA
DAVI HECKERT CESAR BASTOS
DENISE OLIVEIRA MARCOS DOS SANTOS
DIOGO FERNANDEZ ROCHA
ESTEVÃO RODRIGUES DE OLIVEIRA
FELIPE FERNANDES BATISTA BATISTA
FERNANDO FARIA ANDRADE MARTINS
FILIPE  RODRIGUES DE OLIVEIRA
FLÁVIA CALAZANS
FRANCISCO ALVES RODELLO
GABRIEL BATISTA FREITAS
GABRIEL HENRIQUE DE SOUZA CAMPOS
ISABELA FERNADES BATISTA
JAMES ANDREW CUNHA GILBERT
JANINE ESTRELA MAROTTA
JÚLIA DA MATTA MACHADO DE PAULA
LARISSA FERNANDEZ ROCHA
LETÍCIA MOREIRA BATISTA
LUAN BENTO RODRIGUES
LUCAS FIALHO SOARES
LUIZ CARLOS SANTANA
MATHEUS FIALHO BITTENCOURT
MATHEUS PEREIRA MAIA
NATANAEL DE CASTRO LAUREANO
PEDRO LANNA XAVIER
SARAH BISI ROSENTAL
THAÍS SANTIAGO DOMINGOS
THIAGO PEREIRA MAIA
VANESSA OLIVEIRA MARCOS DOS SANTOS

Você também pode assinar e se comprometer!

Acampamento da UPA 2012 - Jesus e a Terra

Os adolescentes da Igreja Presbiteriana de Viçosa (UPA) foram acampar no Parque Estadual de Ibitipoca- MG entre os dias 19 e 22 de Maio. O vídeo abaixo é um relato do nosso tempo junto, que resultou na música "Ibitipoca".





No acampamento refletimos sobre a ligação de Jesus com a Terra, e o desenvolvimento de uma cosmovisão cristã de cuidado e governo da Criação.

Os adolescentes ao término do acampamento se organizaram para fazer um protocolo no qual assumem seu compromisso como mordomos da criação, promovendo o Reino de Deus e seus valores. Foi organizado uma comissão para terminaram de redigir o documento e o mesmo foi assinado por toda a turma na reunião da UPA realizada dia 25/05/12.

Acesse as devocionais realizadas no acamps aqui: 1 , 2 e 3  e o Protocolo de Ibitipoca.

As fotos dessa aventura você pode compartilhar no Flickr da UPA IPV

segunda-feira, 21 de maio de 2012

Solilóquio, uma conversa no espelho



A marca distintiva da sociedade contemporânea é a superficialidade. Somos rasos em nossas avaliações. Falta-nos reflexão. Falta-nos introspeção. Estamos atarefados demais e cansados demais para examinarmo-nos a nós mesmos. Corremos atrás de coisas e perdemos relacionamentos. Sacrificamos no altar das coisas urgentes, as coisas que de fato são importantes. Como muito bem afirmou George Carlin, num artigo sobre o paradoxo do nosso tempo: “Multiplicamos nossos bens, mas reduzimos nossos valores. Falamos demais, amamos raramente e odiamos frequentemente. Aprendemos a sobreviver, mas não a viver; adicionamos anos à nossa vida e não vida aos nossos anos. Fomos e voltamos à lua, mas temos dificuldade de cruzar a rua e encontrar um novo vizinho. Conquistamos o espaço sideral, mas não o nosso próprio espaço. Fizemos muitas coisas maiores, mas pouquíssimas melhores. Limpamos o ar, mas poluímos a alma; dominamos o átomo, mas não nosso preconceito. Construímos mais computadores para armazenar mais informação, mas nos comunicamos cada vez menos. Estamos na era do fast-food e da digestão lenta; do homem grande de caráter pequeno; lucros acentuados e relações vazias. Essa é a era de dois empregos, vários divórcios, casas chiques e lares despedaçados”. 

Solilóquio é conversar consigo mesmo. É olhar nos olhos daquele que vemos no espelho e enfrentá-lo sem subterfúgios. É entrar pelos corredores da alma e não escapar pelas vielas laterais. É lidar com o nosso mais difícil interlocutor. É falar com o nosso mais exigente ouvinte. A introspecção, porém, é uma viagem difícil de fazer. Olhar para dentro é mais difícil do que olhar para fora. É mais fácil falar para uma multidão do que conversar com a nossa própria alma. É mais fácil exortar os outros do que corrigir a nós mesmo. É mais fácil consolar os aflitos, do que encorajar-nos a nós mesmos. É mais fácil subir ao palco e pregar para um vasto auditório do que conversar com aquele que vemos diante do espelho. 

O salmista, certa feita, estava muito triste e percebeu que precisava endereçar sua voz não para fora, mas para dentro. Então disse: “Por que estás abatida ó minha alma? Por que te perturbas dentro de mim? Espera em Deus, pois ainda o louvarei, a ele, meu auxílio e Deus meu” (Sl 42.11). É preciso dizer à nossa alma que a tristeza não vai durar para sempre. Devemos levantar nossos olhos e saber que Deus está no controle da situação, ainda que agora isso não seja percebido pelos nossos sentidos. Devemos proclamar, em alto e bom som para nós mesmos, que o louvor e não o gemido; a alegria e não o choro é que nos esperam pela frente. Não nos alarmemos com nossas angústias; consolemo-nos com as promessas de Deus. 

Não basta reflexão, é preciso introspecção. Não basta falarmos aos outros, precisamos falar a nós mesmos. Não basta lançarmos mão do diálogo, precisamos de solilóquio. O salmista, disse certa feita: “Volta minha alma ao teu sossego, pois o Senhor tem sido generoso para contigo” (Sl 116.7). Muitas vezes, ficamos desassossegados, quando deveríamos estar em paz. Curtimos uma grande dor na alma, quando deveríamos estar experimentando um bendito refrigério. E por que? Porque deixamos de pregar para nós mesmos. Deixamos de exortar nossa própria alma. Deixamos de fazer viagens rumo ao nosso interior. Deixamos de conversar diante do espelho. Deixamos o solilóquio. É preciso alertar, entretanto, que o solilóquio só é saudável, quando estamos na presença de Deus, quando nossa esperança está em Deus, quando encontramos em Deus nosso refúgio e fortaleza, quando podemos dizer como o salmista: “Espera em Deus, pois ainda o louvarei, a ele, meu auxílio e Deus meu”.


Rev. Hernandes Dias Lopes

segunda-feira, 14 de maio de 2012

Nem crianças, nem adultos: o mito da adolescência





Um texto provocativo para vocês. Depois comentem o que acharam!


Por Andrew


“Quando eu era criança, falava como criança, pensava como criança, raciocinava como criança. Desde que me tornei homem, eliminei as coisas de criança.” 1 Coríntios13.11


Imagina que você é o dono de uma empresa que tem um funcionário antigo. O cabra é gente fina até dizer chega, simpático que só. Todo mundo o adora, mas as vezes dá muito mole. Esquece de entregar um trabalho, ocasionalmente falta sem avisar, vive enrolado com alguma coisa. Ele até resolve o trabalho, mas não é algo digno de excelência… faz apenas algo que realmente deixa a desejar. Daí o dito cujo entra na sua sala um dia e pede um aumento, uma promoção, já que ele, afinal, está lá há tanto tempo. Conhecendo a sua falta de empenho, você daria a promoção? Colocaria mais responsabilidade nas mãos de alguém que já não consegue lidar com o que tem?


Durante a Segunda Guerra Mundial, países inteiros foram convocados para trabalhar. Homens, mulheres e crianças, famílias inteiras eram recrutadas para lutar desde as frentes da batalha até aquilo que chamavam de as frentes de casa, onde as mães e  os filhos trabalhavam nas fábricas produzindo armamentos e afins. Isso foi um erro dos piores possíveis, sem dúvida. Nesse processo todo, milhares de crianças foram forçadas a abrir mão da sua infância para se tornarem força tarefa na guerra dos adultos. Após a guerra, numa tentativa de corrigir os erros do passado, criou-se então a categoria dos teens (termo em inglês que se refere às idades de 13 a 19 anos: thirteen, fourteen, fifteen… nineteen). O que vem exatamente a ser então o teen? O teen, ou adolescente como os chamamos em português, é aquela pessoa que não é nem criança, nem adulto. É a idade durante a qual podemos desfrutar de uma liberdade para nos conhecer, descobrir como andar pelas com as próprias pernas para que, ao chegar à vida adulta, estejamos prontos para enfrentá-la. Esse é um argumento lógico que até faz sentido, até certo ponto. Temos então esses pequenos adultos / grande crianças que agora estão “livres”.


Tá, mas… então os adolescentes têm que começar a pensar como adultos, uma espécie de ensaio para a vida adulta. A minha pergunta é: ao olhar para o lado e ver uma centena de adolescentes via blogs, facebook, twitter, rádio, programas de TV, filmes e mais filmes… onde está o tal ensaio para a vida adulta? O que vemos são pessoas que tem carta branca para beber até cair, fazer besteira, zoar a vontade e por aí vai. Então… queremos “adultos em formação” que são tratados como crianças. E isso vem dos dois lados. Os pais e as autoridades não reconhecem no adolescente um potencial, não o respeitam e se quer o levam a sério. Logo, ele faz o que bem entende. O jovem, em contrapartida, atende às (baixas) expectativas que lhe são propostas. Meninas de 15 anos hoje se vestem como se fossem mulheres sensuais de vinte e poucos. E querem ser tratadas como adultas, afinal, o corpo já está pronto, não? Querem ter relações sexuais, e algumas já são até mães! E os garotos? Tá todo mundo malhadão, saradão, com cordaozão de prata. O objetivo maior da vida? Comprar o carro próprio… tunado. Com aro 18 de liga leve e sonzão no porta-malas. E então temos toda essa geração de crianças grandes. O que leva à próxima pergunta: isso começa aos 13 ou 14 anos e vai até… quando? Hoje temos adolescentes de 20, de 30, de 40 anos… querem continuar vivendo como crianças com a liberdade de adultos.


Você já ouviu o nome João Ferreira de Almeida? É altamente provável que a sua Bíblia em português tenha sido traduzida por ele. Ouvimos falar dos grandes reformadores da igreja que traduziam as escrituras enfurnados em bibliotecas, homens já de idade e experiência e sabedoria extensa. Dá um chute na idade com a qual João traduziu o Novo Testamento. SixTEEN!!!! Dezesseis anos de idade. Imagina um João hoje na sua turma. Os amigos estão matando aula pra jogar bola, correndo pra academia pra ficar bombadão, ou até em casa no computador vendo mais um vídeo de um gatinho engraçado, um clipe da Panicat raspando a cabeça ou um hino de louvor sincero se tornando motivo de piada nacional. Ele estaria no laptop dele em casa traduzindo a Palavra do Deus vivo, a única capaz de trazer esperança e vida eterna para a nossa natureza pecaminosa e condenada. Você tem noção do que é isso? “Mas, poxa, Andrew, pega leve, os tempos eram outros!” Pois é… realmente eram. Naquela época não vivíamos sob a ilusão do mito da adolescência. Naquela época, ou você tinha uma cabeça de criança ou de adulto, conforme vemos no texto de Paulo em 1 Co 13. Quando chegou à maturidade e se tornou adulto, ele “eliminou as coisas de criança”. Hoje, porém, temos crianças que querem agir como tal mas serem reconhecidos como adultos, com toda a sua liberdade e responsabilidade. Lembra do empregado irresponsável? Você poria essa responsabilidade toda nas mãos de alguém que nunca fez por merecer?


Em outro texto de Paulo, sua primeira carta a Timóteo:
“Ninguém despreze a tua mocidade; mas sê o exemplo dos fiéis, na palavra, no trato, no amor, no espírito, na fé, na pureza.” 1 Timóteo 4.12


Timóteo era um jovem sacerdote e Paulo fala que ele não poderia se deixar ser desprezado pelos mais velhos. Sim, isso depende da expectativa que os mais velhos têm de nós, mas quanto a nós, jovens… estamos fazendo por merecer? Agimos como crianças ou como adultos? Porque segundo Paulo, é um ou outro. Nós estamos agindo como empregados responsáveis dignos de uma promoção ou estamos cochilando esperando que alguém “enxergue o nosso potencial” e nos dê uma chance enquanto nos mostramos dignos de muito menos? A única parcela da sociedade hoje que reconhece o potencial dos jovens é o tráfico de drogas que os contrata para serem “aviõezinhos” e guerreiros e os cafetões que dão emprego a essas mulheres “de menor”.


Isso não é uma bronca, porque quem leva bronca é criança. Porém, faço questão de lhe dar um empurrão para que você caia da cadeira e abra os seus olhos! Deus lhe deu um vigor, uma força que você jamais terá novamente na sua vida. E você está usando isso para quê? Onde estão os homens e as mulheres que levarão o Evangelho para a próxima geração? Há, na grande maioria, apenas meninos e meninas brincando de ser adulto.


Se puder adquirir, recomendo um livro espetacular sobre o assunto. Chama-se Radicalize, publicado pela editora Mundo Cristão. Sim, você terá que gastar dinheiro parar comprar, mas lhe garanto que será de melhor proveito do que um lanche no McDonald’s, o último DVD de adoração gravado por sei lá quem ou mais um tênis ou salto alto. Foi de lá que tirei bastante do que falo nesse texto. Foi escrito por americanos, logo, os exemplos vêm de lá. Mas também temos o nosso exemplo do João Ferreira de Almeida, que era português, o “adolescente” cujo trabalho permitiu que eu e você tivéssemos acesso à Palavra de Deus.


“Andrew, pegou pesado. Pra quê isso?” Pra quê? Para que você comece a viver a sua vida hoje! Para que comece a ser tudo que você pode ser, mesmo que ninguém tenha essa expectativa a seu respeito! Para que você abrace o verdadeiro Evangelho de Cristo e viva de maneira plena para a honra e glória do nome dEle! Pois enquanto brincamos de ser adultos assistindo Pânico na TV ou mais uma novela ou compartilhando mais um meme de troll face ou assistindo pela enésima vez o vídeo “Para a nooooossa alegria”, há alguém no inferno que sorri contente e satisfeito com a passividade e mediocridade dessa geração.


A Igreja não está morrendo somente porque os pastores estão se desviando ou outros tantos escândalos. A Igreja está condenada à morte por conta do fato de que os jovens que deveriam garantir a transmissão do Evangelho de Cristo estão deixando que suas vidas sejam roubadas e suas cabeças estupradas por uma mentalidade que é motivo de vergonha diante da Cruz de Cristo.


E então… o que você vai fazer diante disso?


Por Andrew
Publicado Originalmente no Blog do Andrew


segunda-feira, 7 de maio de 2012

COISAS DE QUE NÃO PRECISO PARA SER FELIZ


 Por Frei Betto


Ao viajar pelo Oriente, mantive contatos com monges do Tibete, da Mongólia, do  Japão e da China. Eram homens serenos, comedidos, recolhidos e em paz nos seus mantos cor de açafrão.

Outro dia, eu observava o movimento do aeroporto de São Paulo: a sala de espera cheia de executivos com telefones celulares, preocupados, ansiosos, geralmente comendo mais do que deviam.

Com certeza, já haviam tomado café da manhã em casa, mas como a companhia aérea oferecia um outro café, todos comiam vorazmente.

Aquilo me fez refletir: 'Qual dos dois modelos produz felicidade?'

Encontrei Daniela, 10 anos, no elevador, às nove da manhã, e perguntei:

- 'Não foi à aula?' Ela respondeu: 'Não, tenho aula à tarde'.

Comemorei: 'Que bom, então de manhã você pode brincar, dormir até mais tarde'.

'Não', retrucou ela, 'tenho tanta coisa de manhã...'

'Que tanta coisa?', perguntei.

'Aulas de inglês, de balé, de pintura, piscina', e começou a elencar seu programa de garota robotizada.

Fiquei pensando: 'Que pena, a Daniela não disse: 'Tenho aula de meditação!

Estamos construindo super-homens e super  mulheres, totalmente equipados, mas emocionalmente  infantilizados.

Uma progressista cidade do interior de São Paulo tinha, em 1960, seis livrarias e uma academia de ginástica; hoje, tem sessenta academias de ginástica e três livrarias!

Não tenho nada contra malhar o corpo, mas me preocupo com a desproporção em relação à malhação do espírito. Acho ótimo, vamos todos morrer esbeltos: 'Como estava o defunto?'. 'Olha, uma maravilha, não tinha uma celulite!'

Mas como fica a questão da subjetividade? Da espiritualidade? Da ociosidade amorosa?

Hoje, a palavra é virtualidade. Tudo é virtual. Trancado em seu quarto, em Brasília, um homem pode ter uma amiga íntima em Tóquio, sem nenhuma preocupação de conhecer o seu vizinho de prédio ou de quadra! Tudo é virtual. Somos místicos virtuais, religiosos virtuais, cidadãos virtuais. E somos também eticamente virtuais...

A palavra hoje é 'entretenimento'; domingo, então, é o dia nacional da imbecilização coletiva. Imbecil o apresentador, imbecil quem vai lá e se  apresenta no palco, imbecil quem perde a tarde diante da tela.

Como a publicidade não consegue vender felicidade, passa a ilusão de que felicidade é o resultado da soma de prazeres: 'Se tomar este refrigerante, vestir este  tênis,  usar esta camisa, comprar este carro,você chega lá!'

O problema é  que, em geral, não se chega! Quem cede desenvolve de tal maneira o desejo, que acaba  precisando de um analista. Ou de remédios. Quem resiste, aumenta a neurose.

O grande desafio é começar a ver o quanto é bom ser livre de todo esse condicionamento globalizante, neoliberal, consumista. Assim, pode-se viver melhor. Aliás, para uma boa saúde mental  três requisitos são indispensáveis: amizades,  autoestima, ausência de estresse. Há uma lógica religiosa no consumismo pós-moderno.

Na Idade Média, as cidades adquiriam status construindo uma catedral; hoje, no Brasil, constrói-se um shopping-center. É curioso: a maioria dos shoppings-centers tem linhas arquitetônicas de catedrais estilizadas; neles não se pode ir de qualquer maneira, é preciso vestir roupa de  missa de domingo. E ali dentro sente-se uma sensação paradisíaca: não há mendigos, crianças de rua, sujeira pelas calçadas...

Entra-se naqueles claustros ao som do gregoriano pós-moderno, aquela musiquinha de esperar dentista. Observam-se os vários nichos, todas aquelas capelas com os veneráveis objetos de consumo, acolitados por belas sacerdotisas. Quem pode comprar à vista, sente-se no reino dos céus. Deve-se passar cheque pré-datado, pagar a crédito,  entrar no cheque especial, sente-se no purgatório. Mas se não pode comprar, certamente vai se sentir no inferno...

Felizmente, terminam todos na eucaristia pós-moderna, irmanados na mesma mesa, com o mesmo suco e o mesmo  hambúrguer do Mc Donald...

Costumo advertir os balconistas que me cercam à porta das lojas: 'Estou apenas fazendo um passeio socrático.' Diante de seus olhares espantados, explico: 'Sócrates, filósofo grego, também gostava de descansar a cabeça percorrendo o centro comercial de Atenas. Quando vendedores como vocês o assediavam, ele respondia:... "Estou apenas observando quanta coisa existe de que não preciso para ser Feliz"!!

quinta-feira, 3 de maio de 2012

Percepções de si mesmo


Necessitamos ser amados. O orgulho é uma espécie de disfunção na capacidade de perceber-se amado. Portanto, o orgulho pode ser o estado de uma alma insegura, a manifestação de uma carência que desconfia jamais ser suprida.
 

Vive-se como se a vida fosse um concurso. Só que o orgulhoso procura, além disso, não apenas ser classificado, mas ser o primeiro. Afinal, ele não pode viver sem provar a si mesmo e exibir aos outros que ele é o melhor.
 

Geralmente o orgulhoso não tem consciência de que é assim. Entende-se apenas como esforçado, bastante dedicado, que se interessa inteiramente pelas coisas, que não desiste -- enfim, um brasileiro superior. A razão pode ser um forte apoio para justificar-se e defender-se inconscientemente. 
 

O que predomina naquele que é tomado pelo orgulho é a competição. E quem compete, necessariamente, precisa observar o outro. Vive prestando atenção no desempenho do próximo a fim de superá-lo. Ou seja, a comparação é como o ar que ele respira. Não consegue viver sem isso, está o tempo todo vendo e julgando.
 

O orgulhoso é compelido a insinuar seus feitos todo o tempo. Ofende-se se não é mencionado. Considera-se facilmente injustiçado e os demais, ingratos, quando se trata, na verdade, de dificuldades suas.
 

Dominado pelo orgulho, assume um jeito de viver em que a autossuficiência se revela, às vezes, discretamente, em outras ocasiões, explicitamente. Assim seus dias ficam mais cansativos, pois vivem acorrentados ao peso de não poder pedir ajuda. Sentem como se isso fosse uma vergonha mortal.
 

Tudo isso compromete sua capacidade de gratidão e contentamento. O orgulhoso vive inconformado com a falta de reconhecimento dos que o cercam quanto a tudo que já fez. Chega a julgar o próprio Deus e vê-se no direito de explicar por que percebe que de certa forma Deus está em dívida com ele. Em última análise, pode concluir que Deus não é de fato confiável, pois não é justo. Sendo assim, vive uma solidão cruel, que se esmera por disfarçar.
 

A alma adoecida pelo orgulho acaba por viver seus dias miseravelmente. Vê inimigos o tempo todo, sente uma perseguição implacável em seu cotidiano. Portanto, envelhece com raízes de amargura, com dureza ímpar, com sofrimentos desnecessários. A distorção na maneira de olhar e interpretar a si mesmo, os outros e o seu contexto enruga a alma de tal maneira que poucos vestígios sobram da imagem de Deus, o Criador.

Por Tais Machado, paulistana, é psicóloga clínica e professora em seminários teológicos. É secretária nacional de capacitação da Aliança Bíblica Universitária do Brasil.

Publicado originalmente em Ultimato